O fraco desempenho da economia brasileira aliado ao colapso das vendas para a Argentina pegaram a indústria automobilística no contrapé. Entre 2008 e 2012, as empresas investiram R$ 45 bilhões em novas fábricas e na expansão de unidades existentes, contrataram 26,4 mil trabalhadores e elevaram a capacidade instalada da indústria em 16%, para 4,5 milhões de veículos por ano. Mas o cenário se inverteu, a demanda interna caiu e as exportações desabaram. Resultado: estoques em alta e funcionários demitidos.
O quadro desfavorável do setor, cujos sinais começaram a aparecer no fim de 2013 com a restrição no crédito e menor disposição do brasileiro de ir às compras, se tornou mais agudo no segundo trimestre deste ano, quando a atividade da indústria atingiu os piores níveis desde 2010. Até agosto, a produção de veículos havia caído 18% em relação a 2013; as exportações, 38%; e 8,7 mil funcionários foram desligados. Os estoques chegaram a 42 dias - um número considerado elevado para a indústria.
“O setor passa por um momento de desaceleração. Nos últimos dez anos, com o aumento da renda e mobilidade das classes sociais, as vendas do segmento cresceram a uma média de 10% ao ano enquanto a economia avançava 4%. Foi um resultado bem positivo”, explica o economista da Tendências Consultoria Integrada Rodrigo Baggi, especialista no setor automotivo e de bens de capital. A reversão do cenário, com menos apetite do brasileiro, ocorre num momento em que os projetos iniciados no passado começam a entrar em operação, ampliando a oferta.
Pelos dados da Tendências, o setor opera hoje com uma ociosidade de 40%, praticamente o dobro do que ocorria nos tempos de consumo em alta. Com menos produção, as empresas reduziram o quadro de funcionários e diminuíram os turnos de trabalho.
A indústria automobilística responde por 4,9% do Produto Interno Bruto. Em 2010, a fatia era de 5,1%.