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Moradores prejudicados por queda de viaduto em BH querem barrar reconstrução

Por Paulo Peixoto | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Uarlen Valério/ Estadão Conteúdo

Foi implodida nesta manhã a alça norte do Viaduto Batalha dos Guararapes, na região da Pampulha, em Belo Horizonte

A implosão da alça do viaduto Batalha dos Guararapes, na manhã deste domingo (14), na zona norte de Belo Horizonte, não encerra a luta dos moradores dos 13 prédios residenciais e comerciantes vizinhos da região.

A partir de agora, a luta deles será para impedir que o viaduto seja reconstruído.

Uma alça do viaduto caiu no último dia 3 de julho. A queda deixou dois mortos e 23 feridos, que trafegavam na avenida atingida pelos destroços. A obra inacabada deveria ser entregue para a Copa, mas atrasou.

A alça que ficou de pé não oferecia segurança e, por isso, precisou ser demolida.

As responsabilidades técnicas, cíveis e criminais ainda estão sendo apuradas pela Polícia Civil, que na semana passada ganhou mais 30 dias para concluir o inquérito.

O viaduto está em uma importante via de acesso, que liga o aeroporto de Confins à região da Pampulha e ao centro da capital mineira.

Os transtornos na construção para os moradores já tinham sido muitos. Com a queda, só aumentaram.

"O mais importante é que não inventem moda de um novo viaduto aqui", disse o segurança Servilho Mesquita, 47, que mora com a mulher em apartamento de um dos prédios mais próximos do viaduto.

Com o deslocamento de ar provocado pela implosão, quase todas as vidraças do apartamento deles e dos vizinhos quebraram.

A Defesa Civil e a construtora Cowan, responsável pela obra, estão providenciando os reparos. Para a empresa que fez a implosão, o dano não foi uma surpresa. Segundo a Defesa Civil, no entanto, não houve, em princípio, danos estruturais aos 186 apartamentos.

Por esse motivo, meia hora depois da implosão os apartamentos foram liberados. Mas os moradores ainda terão de conviver com barulho, poeira e riscos por causa da remoção dos entulhos.

Já as 26 famílias que moram nos apartamentos dos prédios mais próximos ao local ficarão mais uma semana no hotel onde estão desde 27 de julho, até que tudo esteja limpo e as vidraças recompostas.

O segurança Servilho é um deles. "O hotel está pago [pela construtora] até o dia 21", disse.

AÇÃO CIVIL PÚBLICA

Presidente da associação de moradores e comerciantes da região afetada, a advogada Ana Cristina Drumond disse que duas medidas jurídicas serão tomadas a partir desta semana.

Uma delas é a proposição ao Ministério Público Estadual de uma ação civil pública para impedir que a prefeitura reconstrua o viaduto. "Há outras soluções possíveis para o trânsito", argumenta.

A outra medida jurídica serão ações individuais de ressarcimento e danos morais.

Ana Drumond diz que os apartamentos perderam valor e "ficaram fora do mercado", além dos muitos tormentos pelos quais os moradores e os comerciantes da região ainda passam.

Ela disse que "os comerciantes não aguentam mais" tantos problemas com as obras e as interdições.

Moradora desde os oito anos de idade da região, a advogada disse que desde a realização da obra "reduziu demais a pressão da água que chega aos moradores" e que até agora ninguém cogitou solucionar esse problema.

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