“Ela chegou em casa e já começou a chorar. Não conseguia nem se expressar”. Esta frase é da mãe de uma menina de apenas 11 anos de idade, que acusa colegas da Escola Estadual Padre Antônio Jorge Lima, localizada no Núcleo Habitacional "Nobuji Nagasawa", de acariciá-la intimamente durante o horário de aula, na tarde desta segunda-feira (15). O caso foi registrado na Polícia Civil como ato infracional de estupro e foi censurado. (leia nota na íntegra da Diretoria Regional de Ensino)
Seis meninos prestaram depoimento ao longo da madrugada desta terça-feira (16) e cinco teriam sido reconhecidos pela menina.
O nome de todos os envolvidos não serão informados pela reportagem em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Enquanto a polícia ouvia os envolvidos, familiares reclamavam da falta de estrutura do estabelecimento de ensino, no lado de fora da Central de Polícia Judiciária (CPJ).
De acordo com a mãe da vítima, sua filha chegou em casa aos prantos. Ao ser questionada sobre o motivo, relatou que cinco garotos a teriam abordado e a acariciado nas partes íntimas, sem sua permissão, em um corredor, durante o horário de aula. Um deles teria tapado sua boca enquanto os demais praticavam o abuso.
Uma aluna teria flagrado o ocorrido e procurou ajuda. Ela foi até a sala de aula e, quando a professora da menina apareceu na porta, os meninos envolvidos teriam saído às pressas.
Com a denúncia, os pais da menina foram à escola e não encontraram ninguém da diretoria. A Polícia Militar (PM) foi acionada e viaturas da 4ª Companhia, acompanhadas do Comando de Força Patrulha (CFP) e da Ronda Escolar, foram ao local.
Já na escola, os acusados e seus pais foram contatados para comparecerem imediatamente.
Segundo informações da PM, policiais ouviram preliminarmente a menina e os acusados na presença dos pais, ainda na escola. Contudo, por determinação do delegado plantonista Roberto Cabral Medeiros, todos foram conduzidos à CPJ para prestarem depoimento. As investigações serão conduzidas pela Delegacia da Mulher.
A reportagem não teve acesso a outros detalhes da ocorrência, como parte do depoimento dos citados. A pedido da escola, o boletim de ocorrência foi censurado.
Os acusados foram liberados após seus pais assinarem Termo de Responsabilidade.
Providências
A mãe da vítima disse que irá procurar a autoridade de ensino competente na manhã desta terça-feira (16), para cobrar providências em relação à falta de diretores durante o expediente. A criança deverá ter acompanhamento psicológico.
Questionada pela reportagem sobre o ocorrido, a diretora da escola - que esteve na CPJ na companhia de sua coordenadora e da professora da menina - disse não saber de nada e que não iria falar sobre o assunto.
Nota oficial da Diretoria de Ensino
"A Diretoria Regional de Ensino de Bauru repudia o ocorrido contra a aluna da Escola Estadual Padre Antônio Jorge Lima. Os responsáveis pelos estudantes foram convocados, e todas as medidas serão tomadas seguindo o regimento escolar. Um boletim de ocorrência também foi registrado para que a polícia investigue o caso. Os cinco alunos envolvidos foram suspensos.
Cabe destacar que a unidade de ensino possui agentes de organização escolar responsáveis por monitorar os alunos. Uma equipe de supervisores foi designada pela diretoria regional para averiguar a conduta dos funcionários e da direção da escola. A administração regional prestará todo o apoio à aluna e sua família, e está à disposição da polícia.
A Secretaria da Educação entende que o enfrentamento à violência no ambiente escolar deve ocorrer em diversas frentes, que englobam polícia, comunidade escolar e família. A Pasta desenvolve desde 2009 em todas as 5 mil escolas paulistas o Sistema de Proteção Escolar, programa que orienta as equipes gestoras e apoia professores e alunos envolvidos em situações de vulnerabilidade. Entre as ações do programa, está a figura do professores-mediadores, que são educadores capacitados para criar ações preventivas nas escolas estaduais e ainda aproximar a comunidade das unidades em campanhas de prevenção à violência, racismo e outras formas de discriminação como o bullying, entre outros. Hoje existem 3.082 professores. O número é 166% em relação ao ano de 2010, quando a função foi criada."
Thiago Vendrami |
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Menina de apenas 11 anos denunciou que foi abusada no corredor da escola |
