Em sua estratégia de reaproximação do setor empresarial para tentar reduzir resistências à candidatura da presidente Dilma Rousseff, o ministro Guido Mantega (Fazenda) anunciou ontem a extensão para toda indústria da redução da alíquota de Imposto de Renda de 34% para 25% sobre lucros no Exterior de empresas brasileiras. A redução já valia para alimentos, bebidas e construção civil.
A medida era reivindicada pela indústria, que reclamava da decisão da Receita Federal de tributar em 34% os lucros obtidos por subsidiárias no Exterior. Ela acabava tirando competitividade das empresas nacionais com atuação lá fora.
“Na prática, é um equilíbrio ente empresas brasileiras e estrangeiras”, disse Mantega.
Para o ministro, a medida ajuda a manter a competitividade da indústria brasileira no Exterior em relação às rivais internacionais, que tem financiamento com juros menores.
EXPORTAÇÃO
Ele confirmou ainda que, no próximo ano, o programa de estímulos às exportações, o Reintegra, terá alíquota de 3%. Este mecanismo devolve aos exportadores um percentual de suas vendas no Exterior.
A medida tem como objetivo dar mais competitividade às exportações brasileiras e compensar eventuais valorizações do real.
Força Sindical recebe Mantega com ‘sardinhada’
Manifestantes da Força Sindical receberam ontem o ministro da Fazenda Guido Mantega com um “sardinhada” em frente à sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em São Paulo.
O ministro se reuniu com empresários para anunciar medidas de apoio à indústria.
Os sindicalistas pedem o fim do fator previdenciário, correção da tabela do Imposto de Renda, e jornada de trabalho de 40 horas semanais.
Eles portavam faixas dizendo: “Mantega de aviso prévio”. “Enquanto Mantega volta a se reunir com ‘tubarões’ e o governo anuncia um novo alívio fiscal ao setor industrial, os trabalhadores continuam sem nenhuma resposta às reivindicações trabalhistas”.
A Força Sindical apoia abertamente a candidatura de Aécio Neves (PSDB) à Presidência, assim como o deputado federal Paulinho da Força (SDD-SP).
Participam da reunião cerca de 20 empresários, entre eles o presidente do conselho da CSN, Benjamin Steinbruch, e atual presidente da Fiesp, que afirmou em evento da Federação que “só louco investe” no Brasil.
Questionado ontem se mantém a posição, mesmo sabendo que a indústria teria incentivos tributários, o empresário se limitou a dizer: “Eu também sou um desses loucos”.