O nível de emprego industrial na diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru (região composta por 20 municípios) apresentou resultado negativo no mês de agosto deste ano. A variação ficou em -1,25%, o que significou uma queda de aproximadamente 350 postos de trabalho. Trata-se do pior agosto desde 2005, ocasião do primeiro levantamento.
Na época, a redução foi de 0,97%. Já no ano passado, o saldo foi positivo em 0,20%. Só em 2014, o Ciesp registrou um acumulado de -4,76%, representando o fechamento de aproximadamente 1.450 postos de trabalho. Nos últimos 12 meses, o acumulado é de -5,38%, retrato da diminuição de 1.650 postos.
Segundo pesquisa da Fiesp e do Ciesp, o índice do nível de emprego industrial na diretoria regional em Bauru foi influenciado pelas variações negativas dos setores de produtos de borracha e de material plástico (-5,35%); confecção de artigos do vestuário e acessórios (-2,27%); produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (-3,03%) e máquinas e equipamentos (-0,76%).
No Estado
De janeiro a agosto deste ano, a indústria paulista demitiu 31,5 mil funcionários. E o ano de 2014 deve terminar com o fechamento de mais de 100 mil vagas de trabalho no setor manufatureiro de São Paulo, projeta Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) das entidades.
Ele classifica este ano como “melancólico” para a indústria paulista, a qual somente em agosto demitiu 15 mil funcionários, sendo 12.275 vagas fechadas pelo setor manufatureiro e 2.725 pelo segmento de açúcar e álcool. “Faltam três meses para completarmos o ano e nós não vemos sinais de que tenhamos alguma recuperação”, afirma Francini. “Nossa previsão é de que ao completar o ano de 2014 vamos ter uma variação que vai superar o ano da crise, ou seja vai ultrapassar os 100 mil empregos (a menos)”, completa.
O diretor compara o fraco desempenho de 2014 com a baixa performance da indústria em 2009. A diferença, segundo ele, está em uma ligeira recuperação que a indústria demonstrou no segundo semestre daquele ano, “coisa que não se verifica em 2014”. Na época, a indústria em Bauru teve saldo positivo de 1,27%.