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Estupros, impunidade e machismo

Sara Sacchi e Souza
| Tempo de leitura: 2 min

Bauru mais uma vez se destaca nos números de estupro. Quatro crianças foram estupradas por seus parentes. Dentro de uma escola estadual, uma menina de 11 anos foi estuprada por seus "colegas" de 11 a 13 anos. Menos de dez dias, cinco casos de estupro foram denunciados. E quantas outras mulheres na cidade não podem ter sofrido o mesmo crime e se calado por medo de serem culpabilizadas pelo crime? Por medo de que a sociedade justifique a atitude do estuprador? A jovem de 17 anos que foi estuprada por 10 homens no dia 1º de agosto em Bauru, por exemplo, vem sofrendo retaliações no bairro em que mora e muitos acreditam que ela inventou o estupro ou que o provocou.

Gostaria de saber qual é o pensamento das autoridades bauruenses a respeito do alto número de estupros na cidade. Gostaria de saber do nosso prefeito a posição sobre o assunto. Gostaria ainda mais de saber o que está sendo feito para tentar diminuir esses casos. As vítimas de estupro em Bauru têm os mais variados perfis: de crianças, adolescentes a donas de casa. Os estupradores também: padrastos, tios, "amigos", filhos. É comum abrir o jornal em Bauru e encontrar notícias sobre o assunto, mas o que não é comum é encontrar alguma discussão sobre como reduzir esses números. Nas grades das escolas não temos nem sequer educação sexual.

Outro fato lamentável é a forma como grande parte da mídia trata e expõe os casos de estupro. Muitas vezes são feitas coberturas machistas e que perpetuam o pensamento de que existe alguma forma de que a mulher "induza" o estupro. Reportagens colocam em xeque as histórias das mulheres e ainda minimizam a culpa do homem. Nós mulheres temos medo de sair às ruas; nós mulheres temos medo de andarmos sozinhas; nós mulheres somos menosprezadas pelo nosso gênero; nós mulheres muitas vezes não podemos confiar nem na nossa própria família; nós mulheres temos medo de denunciar crimes que são cometidos diariamente contra nós.

Até quando vamos fingir que o machismo não existe? Até quando os homens vão nos silenciar, continuar nessa posição privilegiada e sair impunes de seus crimes? Até quando nós, mulheres, seremos vítimas de crimes sexistas e sentiremos medo? Até quando vamos ignorar a cultura do estupro? Mais cinco meninas que tiveram seus corpos violados em Bauru. O que as autoridades farão? O mesmo que fizeram pela jovem que foi estuprada por aproximadamente 10 homens?

A autora é leitora do Jornal da Cidade

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