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Falta d"água gera mais protestos

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Sem água nas torneiras desde a última sexta-feira, moradores da Vila Industrial protestaram, ontem, queimando móveis e pneus na quadra 12 da avenida das Bandeiras. O movimento, que foi monitorado pela Polícia Militar, durou quase duas horas e terminou por volta das 13h30, com a contenção das chamas e a desobstrução da via feita pelo Corpo de Bombeiros. O grupo prometia outra manifestação para o final da tarde, mas acabou desistindo após o fluxo da água, mesmo que fraco, voltar às torneiras do bairro por volta das 14h30.

Além desta, outras regiões da cidade também teriam sofrido com o desabastecimento ontem. Entre elas, está a Vila Quaggio, região do Jardim Bela Vista (leia mais abaixo).

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) atribuiu os problemas ao baixo nível do Rio Batalha, que ontem continuava com sua lagoa de captação com 1,08 metro, segundo medição da autarquia.

Responsável por 38% do abastecimento na cidade, o Batalha supre a necessidade de mais de 130 mil habitantes, moradores de 92 bairros espalhados entre as regiões da Vila Falcão, Centro, Bela Vista, Jardim Estoril, Altos da Cidade, Vila Universitária e Jardim Ouro Verde. Os outros 62% são abastecidos por poços artesianos.

Conforme o JC noticiou ontem, este é o menor nível do Batalha neste ano e perde apenas para o registrado em 2006, quando o rio chegou a 50 centímetros.

Vale lembrar que este é o segundo protesto em dois dias. Anteontem, moradores do Santa Cândida bloquearam com uma barricada de fogo a entrada de acesso ao bairro, no trevo da rodovia Elias Miguel Maluf.

Rodízio?

Pontos da zona sul da cidade e do Jardim Contorno, que não são abastecidos pelo Batalha, também registraram desabastecimentos pontuais.

O DAE nega que um rodízio esteja ocorrendo. “O abastecimento está prejudicado por conta do baixo nível do rio. Não há rodízio. Isso poderá ocorrer apenas se o nível baixar para menos de 80 centímetros, mas tudo será comunicado. Se outros bairros reclamaram, devem ser por problemas pontuais”, fecha questão a assessoria de comunicação do DAE.

Ainda de acordo com a autarquia, todos os pedidos por caminhão-pipa feitos pela população estão sendo atendidos. Ainda de acordo com a autarquia, parte deste problema deve ser minimizado assim que o poço Val de Palmas, com inauguração prevista para outubro, for ativado.

“Esse novo poço terá vazão de 220 mil litros de água por hora e beneficiará os bairros: Val de Palmas, Vila Dutra, Bauru 16, Nova Esperança, Jardim da Grama, Andorfato, Eldorado, Prudência e 3 Américas, além de possibilitar abastecimento por meio de manobras para a Vila Industrial, Santa Cândida e Parque Real”, completa a assessoria.


Desde domingo

Há quatro dias sem água nas torneiras, a professora aposentada Maria Célia Zanerato, 65 anos, revela desespero ao contar das dificuldades que tem passado em casa. “Meus vizinhos estão desesperados e quase todos têm criança pequena. Eu até ajudo, mas não tenho condições de comprar água para todo mundo. Pedi o caminhão -pipa para o DAE, mas até agora nada. Meu neto tem problema e não controla o intestino. É desesperador, estamos passando muito apertado”, comenta a moradora, que reside na quadra 2 da rua Nicola Avalone, na região do Bela Vista.

Moradora da Vila Industrial, outro bairro desbastecido por conta do nível do Batalha,  Ingrid Garcia, que participou do protesto ontem, também reclama. “A água chegou, mas não dá pra quase nada, pra encher um balde demora vinte minutos. Se acabar de novo, vamos voltar às ruas e protestar”, cogita.


Quebrou de novo

Além da questão da seca, as quebras na rede também colaboram para o problema. Uma adutora que havia rompido na última segunda-feira, e que abastece região do Bela Vista, voltou a apresentar problemas na tarde de ontem. Por volta das 18h, uma equipe do DAE constatou vazamento na tubulação.

A equipe da Secretaria de Obras foi acionada para ajudar nos serviços emergenciais, já que uma grande erosão se formou no local e a força da água acabou danificando 20 metros de tubos da rede de galerias pluviais.

O serviço foi concluído apenas no final da tarde de ontem.

  • Serviço

  • Reclamações e pedidos de caminhões-pipas podem ser feitos ao DAE através do 0800-7710195, que recebe ligações apenas de telefone fixo, ou 3235-6140 e 3235-6179 para ligações feitas por aparelho celular.

    IPMet acena com chuva para sábado

    Sexta-feira o tempo começa a ficar instável, mas a chuva, de fato, deve atingir a cidade a partir deste sábado. A previsão, que deve trazer alívio a Bauru e melhorar o nível do Rio Batalha, é do Centro de Meteorologia de Bauru (antigo IPMet).

    “A frente fria vem do sul do País e atinge as regiões sul e oeste do Estado. Os modelos apontam que a partir de sexta à tarde o tempo começa a ficar instável e pancadas mais intensas de chuvas são esperadas para o sábado”, antecipa a meteorologista Zildene Pedrosa.

    Apesar do alívio, o calor deve continuar. Para hoje, a temperatura máxima deve chegar a 33 graus e a mínima a 17. Com a chegada da frente fria, a máxima registrará queda para 28 graus no sábado e a temperatura mínima deve permanecer a mesma que nos outros dias em todo o final de semana.

     

    Imgrid Garcia/Divulgação

    Sem água desde sexta-feira, moradores foram às ruas e protestaram ontem na Vila Industrial


     

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