Não custa recordar. Quando jovem, havia muitos bancos que geralmente tinham muitos clientes. Ser bancário ou professora primária era uma honra e uma garantia de futuro promissor. Disputavam-se arduamente as vagas nas casas bancárias.
Trabalhava-se muito e ganhava-se bem. O serviço era muito manual, quando muito algumas máquinas de escrever, uma ou outra Facit de calcular, as máquinas Front-Feed da contabilidade e a máquina para chancelar a garantia de um ou outro cheque importante.
Não se pagava por talões de cheques. Não se pagava pela manutenção da conta. Não se cobrava taxas sobre taxas. Os bancos eram amigáveis.
Corte-se para o tempo presente, já pela década de 80. Os bancos estão rareando cada vez mais. Os grandes engolem os pequenos. Isso quando o governo não os privatiza a preço de cachorro quente.
Passou-se a cobrar tudo a título de tarifas bancárias: talões de cheques, transferências, cadastro, ordens de pagamento, tarifas de estacionamento e tantos outros penduricalhos.
São os tais "custos" que desde o Governo Sarney nos foram impingidos.
Criaram-se as ATM para tirar o cliente da agência bancária. Graciosas mocinhas ficam no saguão (no BB são senhores cansados) exigindo que você diga por que quer vencer a porta giratória.
E tome senha. A princípio com a tecnologia, os bancos deveriam melhorar muito.
Dois exemplos emblemáticos que provam o contrário:
1. Na Caixa Econômica Federal, agência próxima ao estacionamento do Confiança Max, há duas semanas que a máquina que emite cheques está fora do ar. Domingo passado não havia uma ATM funcionando e um gaiato até falou que se deveria passar um cadeado na porta e jogar a chave fora.
2. No Banco do Brasil, agência 1594-6 (também ao lado do Confiança Max), nenhum sábio percebeu que os vidros que constituem a "parede" de entrada do banco ofuscam totalmente a leitura das ATM (que ficam à esquerda de quem entra no banco), fazendo com que os clientes, sobretudo os mais idosos, tenham que fazer verdadeiros malabarismos para conseguir ler o que consta das telas.
Nos dois estabelecimentos citados, as ATM são velhas, não têm a adequada manutenção, estão riscadas ou com papéis colados pelo próprio banco. A leitura ótica é um desafio. Enfim, uma tristeza.
Não era para funcionar tudo direitinho? Nós não estaríamos pagando também para ter um bom serviço? Ou será que não? Mas nem tudo está perdido. O Bradesco continua oferecendo um serviço de primeira. Cobrando, mas entregando a prestação do serviço. Seria bom que BB e Caixa fizessem um treinamento com o Bradesco.
Marco Antônio de Souza