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Ex-diretor fica calado na CPI da Petrobras

Reuters
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A presença do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa na CPI mista da Petrobras transformou a comissão em um palco para debate eleitoral, depois que ele disse que não revelaria nada do que tem dito à Polícia Federal no âmbito do acordo de delação premiada fechado com o Ministério Público.


Como o acordo de delação premiada prevê o sigilo das informações prestadas por Costa, no âmbito da operação Lava Jato, já era esperado que ele ficasse em silêncio na CPI.


Mas isso não impediu um intenso debate na comissão de quarta-feira (17), tendo como pano de fundo reportagens com vazamentos de denúncias do ex-diretor citando dezenas de políticos que teriam se beneficiado de um suposto esquema de corrupção na Petrobras.


Mesmo antes de Costa chegar para seu depoimento na comissão, os parlamentares já travavam uma disputa regimental para decidir se a sessão seria aberta ou fechada ao público. Quando o ex-diretor afirmou que se manteria calado nos dois casos, a reunião da CPI serviu para que deputados e senadores governistas e de oposição trocassem acusações.


Como é minoria na CPI, a oposição não conseguiu aprovar um requerimento para fechar a reunião, perdendo a votação por 10 a 8. Os oposicionistas queriam que o depoimento à CPI fosse sigiloso porque tinham esperança de que o ex-diretor pudesse dar informações.


Os parlamentares da base defendiam que o depoimento fosse aberto ao público, temendo que o fechamento da sessão denotasse uma manobra para esconder Costa da opinião pública.


Costa se manteve tranquilo durante toda sessão e não respondeu nenhuma das questões que lhe foram dirigidas diretamente.


O relator da CPI, deputado Marco Maia (PT-RS), questionou Costa sobre supostos atos de corrupção na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, e se um suposto superfaturamento nos contratos da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, teria motivado a saída da petroleira venezuelana PDVSA do negócio. Costa disse que não responderia nos dois casos.


O negócio em Pasadena e a construção da refinaria em Pernambuco são alvo de investigação da CPI.


O presidente do DEM, senador José Agripino (RN), que é coordenador de campanha do candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, disse que as negativas de Costa estavam envergonhando o Congresso.

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