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Receitas caem quase 4,5 % em agosto, mesmo anabolizadas

Estadão Conteúdo
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O governo aguardava desempenho melhor porque recebeu, no mês passado, receitas extraordinárias do chamado Refis da Copa

Dados preliminares indicam que, em agosto, mês que deveria ser de arrecadação forte, as receitas administradas podem ter caído perto de 4,5% em termos nominais, sem descontar a inflação, em comparação a julho. O governo aguardava desempenho melhor porque recebeu, no mês passado, receitas extraordinárias do chamado Refis da Copa, programa de renegociação de débitos tributários.


As empresas devedoras tinham de pagar uma "entrada", o que reforçou o caixa em algo entre R$ 7 bilhões e R$ 9 bilhões, como revelou o jornal O Estado de S. Paulo.


Mesmo assim, o resultado global da arrecadação de agosto ficou abaixo do esperado pela área econômica em algo próximo a R$ 13 bilhões, segundo dados do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi). Uma explicação é a frustração com o Refis, já que se esperava ingresso de R$ 13 bilhões a R$ 14 bilhões.


Os dados oficiais devem ser divulgados apenas na próxima semana e, por questões metodológicas, podem ser bem diferentes daqueles registrados no Siafi. Porém, se confirmada, a frustração nas receitas reforça a tendência negativa para o resultado das contas públicas em agosto. Isso porque o Siafi também indica que mesmo com ingressos de receita abaixo do previsto, o governo acelerou seus gastos no período.


Como mostrou o jornal O Estado de S. Paulo, houve crescimento nos desembolsos para investimentos e financiamentos. Nos bastidores do governo, comenta-se que foi também em agosto que o governo acertou as chamadas "pedaladas fiscais", ou seja, colocou em dia pagamentos que estavam represados, numa tentativa de melhorar o resultado do superávit primário no primeiro semestre.


O desempenho fraco das receitas coloca o governo diante de um calendário de más notícias na área fiscal às vésperas do primeiro turno das eleições. Na segunda-feira, 22, será divulgado o relatório bimestral de receitas e despesas no qual o governo analisa o andamento das contas públicas e, eventualmente faz ajustes para adequá-las à meta de superávit primário. Especialistas acreditam que as projeções de arrecadação serão cortadas.


Em seguida, sai o resultado das contas do setor público em agosto, que, a julgar pela tendência apontada nos dados preliminares do Siafi, será ruim. E, até o dia 30, o governo precisa enviar ao Congresso um relatório sobre o cumprimento da meta de resultado das contas públicas relativa ao segundo quadrimestre do ano. A expectativa é que ela seja descumprida.


Pagamentos


Segundo levantamento da ONG Contas Abertas, os investimentos pagos em agosto somaram R$ 6,8 bilhões, ante uma média de R$ 4,7 bilhões nos sete meses anteriores do ano. Considerando o período de janeiro a agosto, o volume chega a R$ 39,9 bilhões, o maior para o período desde 2006.


Da mesma forma, os pagamentos de inversões financeiras, que incluem empréstimos e aportes de capital, saltaram de R$ 4,6 bilhões em julho para R$ 6,5 bilhões em agosto - crescimento de 41%. Nessa conta, estão pagamentos atrasados às construtoras do programa Minha Casa, Minha Vida e investimentos em aeroportos por intermédio da Infraero.


Considerando o valor global das despesas, o aumento real observado de janeiro a agosto, na comparação com 2013, foi de 7%. Enquanto isso, as receitas tiveram crescimento acima da inflação de apenas 0,1%, segundo dados já divulgados pela Receita Federal para o período de janeiro a julho. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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