Malavolta Jr. |
|
|
279 quilos de maconha foram apreendidos pela Polícia Civil |
Mais de 270 quilos de maconha, celulares, dinheiro, um revólver, dois carros, seis pessoas presas. Este foi o saldo inicial de uma investigação feita pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecente (Dise). A maior parte da droga estava sendo transportada em um Gol e seria distribuída em Bauru e região.
Uma pequena quantia estava enterrada no quintal da casa onde foi feita a apreensão, na quinta-feira (18), no Parque Viaduto. O entorpecente foi adquirido por “consórcio”, uma prática cada vez mais comum. Um dos líderes da quadrilha, Robson dos Santos da Cunha, 24 anos, foi atingido por um tiro, mas não corre risco de morte.
Além dele, foram presos Abner José de Souza, 24 anos, também apontado como líder, Lucas Ferreira, 31 anos e Diego José Gonçalves dos Santos, que estavam no Gol, além de Janaina Balbino Vieira, 30 anos, e Mayara Aparecida Pavan, que seguiam em uma EcoSport que fazia a “escolta” e era conduzida por Robson. Ao todo, foram apreendidos 279 quilos de maconha, seis celulares, R$ 2,4 mil em dinheiro, um revólver calibre 38 e uma balança de precisão.
Malavolta Jr. |
|
|
Delegado Luiz Augusto Puccinelli com a droga apreendida: quatro meses de investigações |
O caso vinha sendo investigado pela Dise há quatro meses. A equipe da Polícia Civil esperou o momento para fazer o flagrante. A droga chegou em um Gol que vinha da divisa do Estado com o Mato Grosso do Sul sob “escolta” de uma EcoSport.
O carro entrou em uma casa em construção, de um dos líderes, no Parque Viaduto. O imóvel estava cercado.
Robson não atendeu de imediato à ordem. Fez um movimento brusco levando a mão a cintura e acabou sendo atingido por um tiro disparado por um dos policiais. Segundo o delegado Ricardo Dias, foi feito em direção ao chão, mas a bala ricocheteou e atingiu o pé do suspeito.
Ferido
O ferimento não foi grave. Ele foi atendido no Pronto Socorro Central (PSC) e, em seguida, levado para a Central de Polícia Judiciária e autuado em flagrante, assim como os demais envolvidos. “Não houve troca de tiros”.
A droga iria ser armazenada em uma caixa d’água da residência. “A casa é toda murada e nós tivemos que escalar o muro. No quintal do imóvel, encontramos mais maconha enterrada. Tudo indica que essas porções eram de outro fornecedor, uma vez que até a embalagem era diferente”, completa Ricardo Dias.
De acordo com ele, a associação criminosa não é a maior, mas estava em estágio bastante avançado. “O trabalho investigativo teve início focando os líderes. Com certeza, a apreensão da droga e a prisão dos seis integrantes desmantela um esquema de tráfico que movimentava áreas definidas na cidade e na região”, detalha.
Segundo o delegado, a droga adquirida no Paraguai estava demorando a chegar porque a associação tinha uma dívida pendente com o fornecedor. “O fornecedor do Paraguai não enviou a droga enquanto eles não quitaram a dívida”, cita. A aquisição dos 279 quilos de maconha foi feita a R$ 700,00, o quilo, o que resultou em um custo total de R$ 195 mil. Seria vendida a R$ 1,5 mil, o quilo.
Dois nomes lideravam o esquema criminoso
|
A investigação partiu de dois nomes conhecidos do tráfico de Bauru e região, Robson dos Santos da Cunha e Abner José de Souza. Durante o trabalho, outras pessoas foram identificadas e a maneira de agir de todos eles configura uma associação, na opinião do delegado Ricardo Dias.
“Os dois do núcleo diretivo da associação efetuam a compra da droga pelo sistema de consórcio com outros traficantes. Eles se juntam para adquirir e dividem o lucro. No caso de uma ação policial, o prejuízo é diluído entre todos os integrantes do consórcio. Funciona nos mesmos moldes do comércio legal”, cita.
Considerada atacadista, a associação não vendia quantidades pequenas. “Eles forneciam maconha para os médios traficantes. A logística da distribuição também será investigada. O trabalho só começou. Há muitas outras investigações em andamento. Eles tinham uma carteira de clientes fixos. Só vendiam no atacado. Eles recebem a droga, que é fracionada”, acrescenta. Dias não descartou a possibilidade de a associação ter alguma conexão com alguma facção criminosa.
Dos seis presos, quatro são homens e duas são mulheres envolvidas com os líderes. O Gol que transportava a droga estava ocupado por Diego José Gonçalves dos Santos e por Lucas Ferreira, 31 anos, conhecido por Lucão. Na casa dele, foi localizado um revólver calibre 38.
Uma família como disfarce
Uma EcoSport ocupada por Robson, Janaina, Mayara e uma criança de 4 anos seguia à frente do Gol carregado de maconha. “Esse veículo fazia o papel de batedor e se comunicava com o carro carregado com a droga, caso houvesse algum obstáculo, uma operação da polícia, um comando da Polícia Rodoviária, por exemplo”, comenta o delegado. Segundo ele, a presença de mulheres e crianças em um veículo é um disfarce cada vez mais comum. “Para parecer uma família, acima de qualquer suspeita. Porém, os policiais já sabem e não têm mais se deixado levar por essa artimanha”, cita. Após a prisão dos adultos, a criança - um menino de quatro anos, filho de Janaina Vieira - foi entregue para a avó materna.
Transporte do produto
A droga saiu do Paraguai e foi transportada até a divisa do Mato Grosso do Sul com o Estado de São Paulo pelo fornecedor. O comprador foi até um determinado local, não revelado pela polícia e recheou o Gol com a droga. “Tinha maconha no porta-malas, nas laterais da porta, no banco traseiro e até no dianteiro, no pé do passageiro. Eles não tiveram a preocupação de camuflar muito”, conta o delegado Ricardo Dias.

