Domingo será comemorado o Dia da Árvore no Brasil, marcando o início da Primavera no hemisfério sul, que vai até o dia 20 de dezembro. A estação das flores, que representa o recomeço de um ciclo, o início do período "das águas", o tempo de plantar, a esperança de colheita farta e recompensa pelo trabalho árduo. A data merece uma comemoração especial, com direito a bolo de chocolate (ou cupulate, chocolate de cupuaçu, árvore da Amazônia da mesma família do cacau) recheado com castanhas do Pará ou caju, acompanhado de suco de laranja, maçã, manga, acerola e pitanga, fechando com um licor dos brasileiríssimos jenipapo ou jabuticaba ou da exótica amarula, além do bom e velho cafezinho nosso de cada dia.
O local não precisa ser suntuoso, nada melhor que a sombra de um jequitibá ou de uma frondosa copaíba, com vista para uma coleção de belos ipês, destacando-se as flores amarelas da árvore símbolo do Brasil e que costumam dar o ar de sua graça justamente por esses dias. Os convidados poderão se acomodar em bancos de eucalipto ou de espécies nativas, certificadas e oriundas da exploração sustentável de nossas exuberantes florestas tropicais. Como lembranças do evento os convidados poderão levar para casa pequenas embalagens de pinus recheadas de guloseimas à base de coco, cidra, mamão, ameixa ou figo. E depois de tantas calorias merecidamente degustadas, uma caminhada para compensar por entre as árvores de um dos bosques da cidade, apreciando a beleza de suas espécies e desfrutando do conforto térmico proporcionado por essas ilhas em meio a tanto concreto e asfalto.
E vamos em frente, porque em seguida vem a segunda-feira, precisaremos pegar o carro para ir ao trabalho, para podermos estacioná-lo embaixo dos disputados oitis, chapéus de sol, canelinhas, sibipirunas, jacarandás e chorões que vicejam por nossas ruas, praças e avenidas, resistindo tenazmente aos seus inúmeros e variados predadores. Mas agora é hora de falar apenas dela: sua majestade, a árvore.
O autor é engenheiro agrônomo