Bruno Freitas |
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Vítima foi baleada por bala de elastômero após avançar contra os policiais |
Um desentendimento familiar terminou com a morte de um homem de 52 anos na madrugada de sexta-feira (19), por volta das 4h. Ele foi atingido por um disparo de bala de borracha de policiais militares. A PM afirma que ele estava com uma faca. Contudo, a família negou o fato.
A vítima foi atingida por uma bala de borracha de calibre 12 na região do tórax, em frente a sua residência, na quadra 18 da rua Alfredo Ruiz, no Jardim Estoril.
Segundo o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), Ivano Carlo Ferrari, teria usado uma faca de cozinha para investir contra os policiais militares. Chegou a ser socorrido pelos próprios policias e encaminhado ao PS Centro, mas não resistiu. O caso foi registrado como homicídio por intervenção policial.
“A equipe policial foi acionada pela própria família para atender uma ocorrência de desinteligência. Consta que o Ivano teria misturado bebida com medicamento antidepressivo e estava discutindo e agredindo alguns de seus familiares. O indivíduo teria utilizado uma faca para investir na direção da polícia e foi baleado. Existe uma divergência e a família nega, mas isso será investigado”, reiterou Kitazume.
A divergência seria exatamente se o homem estava armado ou não. A família, segundo a polícia, teria negado o fato. Contudo, os parentes não quiseram conceder entrevista.
Ainda de acordo com a polícia, depois de Ivano ter sido encaminhado ao PSC, os familiares contaram para a PM que o morador teria sido deixado em casa por amigos, após ter saído para beber. Alterado, ele pegou a chave da moto e teria dito que iria sair novamente. O sobrinho adolescente interveio e impediu o tio de dirigir alcoolizado, mas Ivano teria acertado tapas no rapaz. Confrontado pelo irmão e a mãe, ele teria ameaçado os familiares, que acionaram a polícia.
A PM informou também que será instaurado um procedimento. O policial será submetido a uma avaliação psicológica da corporação para saber se ele está apto para voltar ao trabalho.
Já a vítima, Ivano Carlo Ferrari, foi velada no Centro Velatório Terra Branca da rua Gerson França, na noite de ontem, e o enterro está marcado para hoje, às 9h, no Cemitério Jardim do Ipê.
30º homicídio
O crime foi tipificado como homicídio doloso decorrente de intervenção policial e um inquérito foi instaurado. Segundo Cledson Luiz do Nascimento, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), os policiais envolvidos no caso já foram ouvidos e declararam que Ivano estaria alcoolizado.
“Os policiais afirmaram que o homem estava com uma faca, mas a família negou”, acrescenta. Os parentes da vítima só serão ouvidos na próxima semana.
O delegado, por fim, aguardou o resultado do exame necroscópico até o final da tarde de ontem para tipificar o crime no registro da polícia. “Foi constatado que a morte se deu em decorrência do rompimento de um órgão interno através da perfuração pela bala de borracha”, explica Nascimento.
Segundo o delegado Cledson Luiz do Nascimento, consta no registro da polícia que o homem costumava misturar bebidas alcoólicas com remédios fortes. “Ele utilizava uma medicação de uso prescrito e, mesmo assim, não deixava de beber”, declara.
De elastômero
Bastante semelhante à munição comum, a bala de elastômero, conhecida também como bala de borracha, é utilizada normalmente em grandes manifestações. Elas podem provocar ferimentos graves e até mesmo a morte das vítimas, quando disparadas de uma distância inferior a 20 metros.
A bala de borracha, cujo nome técnico é munição de impacto controlado, consiste em um projétil de látex muito semelhante às munições comuns, usadas em armas letais. A bala de borracha é composta por uma capsula de pólvora, porém, usa ponta de borracha.