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Camelôs não trabalham após morte de colega; ato em repúdio

Folhapress
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As ruas do centro comercial da Lapa, na zona oeste de São Paulo, não tinham nem sinal de camelôs durante todo esta sexta-feira (19).

 

Segundo comerciantes e ambulantes ouvidos pela reportagem, era uma homenagem ao colega Carlos Augusto Muniz Braga, 30, morto por um policial militar na tarde de quinta (18).

 

O crime aconteceu na rua 12 de outubro, em frente a lojas de sapato. Nesta rua e nas imediações atuam os ambulantes, muitos deles sem permissão para trabalhar. Caso dos vendedores de DVD, como Braga.No asfalto, os amigos picharam em letras enormes: "PM mata camelô na operação delegada. Justiça!".

 

Um protesto contra a morte do ambulante foi convocado no Facebook para este sábado (20), às 12h, na praça Professor José Azevedo Antunes, próximo ao local da morte.Até às 18h30, 350 pessoas tinham confirmado presença na rede social.

 

Nesta sexta, os televisores dos estabelecimentos comerciais ficaram todo o tempo ligados em canais de TV que repetiam à exaustão as imagens do momento do tiro, registradas com câmeras de celulares.

 

O clima era de tristeza entre os conhecidos da vítima que trabalham em comércio, mas também de tensão, já que carros e motos da Polícia Militar circulavam o tempo todo na região.

 

O policial militar que fez o disparo contra Braga foi preso ainda na quinta. Ele não teve o nome divulgado e foi transferido nesta manhã para o presídio militar Romão Gomes, na zona norte da cidade. Em depoimento à polícia, o PM disse que o tiro foi acidental.

 

O prefeito Fernando Haddad (PT) disse que a morte do camelô é "um caso isolado" dentro da Operação Delegada - no qual PMs em folga recebem da prefeitura para atuar pelo município - e que não pretende mudar o esquema de combate ao comércio irregular nas ruas.

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