Bairros

Maus-tratos deixam árvores perigosas

Marcus Libório
| Tempo de leitura: 4 min

Arquivo Pessoal

A engenheira Marcela Bressa realizou estudo sobre árvores

Considerada como melhoria da qualidade de vida da população, a arborização urbana tem sofrido maus-tratos ao longo do tempo. A afirmação e alerta são feitos pela engenheira florestal Marcela Mattos de Almeida Bressa, que realizou um estudo sobre algumas árvores que caíram em Bauru com o temporal do dia 2 de setembro (leia mais ao lado).  


No Dia da Árvore, comemorado amanhã, Bressa chama a atenção para os perigos de quedas, através de alguns indícios de descuidos que vão desde os considerados perceptíveis aos moradores até os mais sutis, quase invisíveis.


“Muitas árvores urbanas são maltratadas e ficam doentes, oferecendo riscos eminentes de caírem”, observa a engenheira.


Titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Valcirlei Silva confirma o alerta, mas pondera que não são em todos os casos.


“Toda árvore tem o risco de cair, principalmente se tiver com indícios de maus-tratos ou com pragas. No entanto, temos feito trabalhos constantes para evitar isso. A maioria das quedas ocorre em temporais, sejam de árvores doentes ou saudáveis”, explica.


Maus-tratos


A engenheira Marcela Bressa aponta alguns exemplos de maus-tratos a árvores urbanas, como a poluição atmosférica e até mesmo a poluição luminosa. “A iluminação altera o ciclo biológico de várias espécies de árvores, porque elas precisam fazer a fotossíntese. Além de atrair insetos proliferadores”, explica.


Segundo a engenheira, a forma menos prejudicial seria a iluminação voltada para a calçada e não para a rua.


“A luminária fica acima da copa da árvore, mas o adequado é estar abaixo, em uma altura de, aproximadamente três metros”, acrescenta.


Valcirlei Silva confirma a situação e alega não ter muito o que fazer. “São fatores que precisam ser melhor resolvidos. Realmente, o padrão seguido pelas empresas de iluminação pública, em algumas situações, não favorecem as árvores”.


“Estamos estudando algumas técnicas para trabalhar essa questão . No entanto, não podemos obrigar as empresas a adequarem as luminárias de acordo com o ideal”, completa.


Outro ponto apontado no estudo de Bressa está relacionado ao solo. “O solo urbano é extremamente compactado, o que dificulta a respiração das raízes, a nutrição e a absorção de água”, aponta. Valcirlei Silva, da Semma, rebate dizendo que é “difícil reverter o quadro em uma área urbana já consolidada”.


Poda


Um dos perigos à segurança da população, segundo avalia a engenheira florestal Marcela Bressa, é a forma irregular de poda das árvores. “Acabam cortando o tronco na metade, ao invés da parte de maior concentração de células de cicatrização desse tronco. Acontece muito em Bauru”, critica


O titular da Semma garante que as podas são feitas de forma correta, com equipamentos adequados e em locais próprios, mas alerta para um problema recorrente: a falta de informação. “Têm pessoas que contratam profissionais sem preparo técnico, o que prejudica muito a sobrevida das árvores. Aplicamos dezenas de multas todos os meses”, pontua .


Para tentar minimizar o impasse, a pasta irá ministrar um curso de poda de árvores na cidade. As inscrições já foram encerrada, porém, a iniciativa visa minimizar o problema. “Iremos credenciar as pessoas que necessitam executar podas e cortes de árvores em passeios públicos, com observância à Legislação Ambiental”, conclui Silva.

Comemoração


A Semma deu continuidade ontem ao plantio de mudas de árvores nativas no futuro bosque da barragem Água do Sobrado. O plantio também foi em comemoração ao Dia da Árvore.


Cerca de 50 funcionários participaram do plantio de 240 mudas de diversas espécies de árvores nativas. Segundo o diretor do Departamento Zoobotânico, Cláudio Sampaio, a participação dos funcionários demonstra o comprometimento com as causas ambientais. Ao todo, já foram plantadas aproximadamente 1 mil mudas na barragem Água do Sobrado. No local, futuramente será instalado um parque, mas a população já poderá usufruir da área verde que está se formando.

Doente


A engenheira florestal Marcela Mattos de Almeida Bressa analisou algumas fotos de árvores que caíram no temporal do início do mês, veiculadas pelo Jornal da Cidade, e constatou árvores doentes e mal cuidadas. 


Uma monguba de cerca de 15 metros de altura, que caiu na Vila São Francisco, Bressa indica troncos lesionados por brocas e cupins. Em outro caso, de uma árvore destruída pelos ventos na quadra 20 da rua Antônio Alves, a engenheira observa que parte da copa está muito seca. “Pode ser por conta de uma doença,  praga ou até mesmo devido a maus-tratos”, aponta o secretário de Meio Ambiente, Valcirlei Silva.

Arquivo:João Rosan

Segundo a engenheira Bressa, árvore que caiu na rua Antônio Alves estava muito seca (marcação em vermelho)

Arquivo: Quioshi Goto

Em árvore de 15 metros, na Vl. São Francisco, especialista apontou áreas no tronco lesionadas por brocas e cupins

 

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