Isabela Ribeiro |
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A chuva de sexta-feira (19) registrou acumulado de 4,1 milímetros, mas não resolveu problema no Batalha; precipitação hoje gera expectativa |
O primeiro dia de rodízio de água em Bauru foi marcado por alívio, mas também por muitas reclamações. Alguns moradores da região da Vila Falcão, Bela Vista e Ouro Verde, que teriam abastecimento o dia todo, receberam a água com atraso de até 8 horas e outros em pouca quantidade. Além disso, várias escolas fecharam as portas (leia mais abaixo). Os problemas abrangeram, principalmente, a população moradora, comércio e instituições nos pontos mais altos dos bairros. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) atribuiu o transtorno ao desperdício da população residente nas partes mais baixas dos bairros e lançou um alerta para que a situação não se repita e prejudique moradores da zona sul e Centro, que deverão ser contemplados das 6h de hoje até as 6h de amanhã.
Vale lembrar, que a interrupção do rodízio ocorrerá apenas quando nível do Rio Batalha estiver acima de 2 metros. A medida, implantada nesta sexta feira pelo DAE abrange uma população de cerca de 130 mil habitantes, que residem nos 92 bairros espalhados entre as regiões da Vila Falcão, Centro, Bela Vista, Estoril, Altos da Cidade, Vila Universitária e Jardim Ouro Verde, que são abastecidos pelo manancial.
As demais regiões da cidade, que são abastecidas por água de poços, não devem ser afetadas pela interrupção no abastecimento de água.
E a chuva?
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Apesar de não ter sido suficiente para recuperar o nível do Rio Batalha, a chuva de ontem, que registrou acumulado de 4,1 milímetros trouxe certo alívio e ajudou o nível da lagoa de captação do Batalha na Estação de Tratamento (ETA) subir para 1,10 metro. Lembrando que, anteontem, o nível chegou a 1 metro.
Segundo previsão do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a instabilidade deve deixar o tempo nublado hoje o dia todo e chuvas fortes poderão ocorrer a qualquer hora.
Após a chuva, a equipe do DAE realizará nova medição. A autarquia, no entanto, já antecipou que ainda não há previsão para a interrupção do rodízio, porque, mesmo após a chuva, demorariam dois dias até a água chegar ao sistema.
Portanto, a região central e a zona sul voltarão a ficar sem água depois das 6h de domingo (veja no quadro ao lado).
Em tempo: no domingo, a frente fria que atua sobre a cidade se afasta, mas ainda provocará chuvas durante a manhã e a madrugada. Também haverá queda na temperatura de 30 graus no sábado, a máxima cairá para 28 graus no domingo. A temperatura mínima se manterá em 18 graus nos dois dias.
Reclamações
Moradores que registraram atrasos no abastecimento, que receberam pouca água e com pouca pressão e não conseguiram encher a caixa d’água e de pessoas que flagraram cenas de desperdício nos bairros que sofrem com o desabastecimento. Foram várias as queixas recebidas pelo JC.
No DAE, as reclamações sobre o atraso no fornecimento vieram principalmente de bairros como o Jardim Solange e Ouro Verde.
“Os atrasos ocorreram justamente por conta do desperdício de água das regiões mais baixas. Para chegar na parte alta do bairro, é preciso que o consumo se estabilize nas partes baixas primeiro. Recebemos várias denúncias no 0800 e até na própria assessoria de imprensa. Mas, infelizmente, não há uma lei no município que multe ou puna. O consumo depende da conscientização da população”, alerta o DAE, por meio de sua assessoria de imprensa.
O número de reclamações registrado não foi informado pela autarquia.
Escolas e creches suspendem as aulas
A falta de água fez com que a Secretaria Municipal de Educação suspendesse as aulas de quatro creches conveniadas e cinco escolas municipais de ensino infantil de Bauru, ontem. Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal, as unidades estão localizadas tanto em bairros que tiveram o fornecimento interrompido pelo rodízio, como o Jardim América, quanto em partes altas dos bairros que foram contemplados pelo fornecimento, como Vila Ipiranga, Alto Paraíso e Bela Vista. “Como a água demorou para chegar, não deu tempo de organizar tudo para atender os alunos adequadamente”, diz a prefeitura.
Segundo o JC apurou, uma escola particular de Ensino Infantil, Fundamental e Médio, no Jardim Bela Vista, também cancelou as aulas ontem e anteontem por conta do problema.
Demorou, mas chegou
Com familiares de Cafelândia e até de Natal (no Rio Grande do Norte) em visita à sua casa, Osmil de Souza, morador da Vila Nipônica (região alta da Vila Falcão), conta ter passado vergonha por conta da falta d’água na última semana. “Tive que levá-los para tomar banho na casa de uma amiga e na chácara do meu patrão. Passei ‘carão’ todos esses dias e, agora, parece que, com o rodízio, a água está voltando, mas demorou para acontecer”, conta o gerente de vendas.
Apesar de o rodízio ter começado às 6h, a água chegou na casa de Osmil apenas às 14h30.
O atraso também ocorreu na casa da aposentada Vera Lúcia Rafacho. “A água chegou aqui umas 11h45. Veio pouco, mas já deu para lavar roupa, louça e tomar banho, pelo menos”, comenta Vera, que também mora na região alta da Vila Falcão.

