Regional

Paz e amor, inclusive na terra

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Pelo visto, viver em comunhão com a natureza não corresponde apenas aos princípios defendidos pelo movimento hippie a partir da década de 60, cuja expressão mais famosa, claro, foi “paz e amor”. No bairro Demétria, localizado na zona rural de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), os moradores são adeptos a essa ideologia e sequer pensam em deixar o campo para tentar a vida na cidade grande.

Em 1974, pela primeira vez no País, foi colocada em prática por lá a agricultura biodinâmica, um sistema de produção que integra as atividades dentro de uma propriedade com respeito à natureza. Por conta disso, a região cresceu e tem cerca de 800 habitantes, cinco condomínios residenciais, restaurantes, pizzarias, a Comunidade Cristã, a Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica, além da escola Aitiara, que trabalha com a pedagogia Waldorf.

“Nós somos um autêntico organismo e é raro encontrar esse tipo de iniciativa no restante do mundo”, comenta o engenheiro agrônomo Pedro Jovchelevich, que também coordena as atividades da Associação Biodinâmica. Nas próximas páginas, haverá a trajetória detalhada dessa região, que atrai brasileiros e estrangeiros ano a ano, desde que começou a se desenvolver.

Tudo isso graças à estância Demétria, onde a biodinâmica começou a ser praticada e provocou o crescimento da região. Hoje, a fazenda tem foco na produção de laticínios, como sorvetes, iogurtes, doces e queijos. Existe também a Bioloja do sítio Bahia, outra propriedade do bairro, que comercializa tudo o que é produzido e beneficiado pelos agricultores da estância e da região, como frutas, hortaliças, geleias, pães e cereais orgânicos.

É difícil encontrar agricultores satisfeitos com o que fazem tanto pelo baixo retorno financeiro quanto pela exigência de um trabalho árduo. Contudo, a lógica não é válida para os moradores do bairro Demétria, uma vez que a maioria deles sequer consegue se imaginar em outra situação. “Não saio daqui de jeito algum”, brinca Laynara Ferreira Leite da Silva, 19 anos, que trabalha como vendedora na Bioloja do sítio Bahia há cinco anos e meio.

Diagnosticada com esquizofrenia há oito anos, Cristiane Dauch, 46 anos, se mudou junto à família para a região na esperança de ter qualidade de vida. Na estância, ela participa de atividades práticas voltadas a pessoas com necessidades especiais, como passeios turísticos, auxílio na organização de festas e artesanato. “Eu me encontrei na arte e não penso em ir embora daqui”, diz

Fotos: Éder Azevedo

Estância Demétria (acima) de Botucatu, onde tem agricultura biodinâmica; Abaixo, Paulo Cabrera mostra a criação das vacas: animais são dóceis e calmos


 

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