Bairros

"Falta de tempo é perda de tempo"

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 3 min

“Nunca é tarde para começar”. A expressão popular é carregada de sabedoria. O problema é, depois de começar, como achar tempo para concluir a tarefa iniciada. Ou melhor: as tarefas, e múltiplas, dos corridos dias atuais. Otimizar o tempo sem perder qualidade de vida: eis o desafio. Cada vez mais presente (e evidente).

Há pesquisas com pacientes terminais que, perguntados sobre o que mais gostariam na vida, deram respostas do tipo: “tempo para fazer o que não conseguiram”. Parece que não, mas dá para mudar essa premissa. É o que garante a pedagoga Maria Aparecida Gonçalves dos Santos (Cidinha).  Mestre em processos e distúrbios da comunicação e especialista em psicopedagogia e gestão escolar, ela não perde tempo em expor seu ponto de vista e orientações.

ORGANIZE-SE

“Já percebeu que estamos sempre tentando transformar o tempo em algo mais concreto? Temos relógios para contar as horas e os minutos, fazemos agendas para visualizar nossos compromissos... Temos calendários para localizar em que dia estamos ou quanto tempo falta para uma data especial e vivemos cada dia mais ansiosos”, observa.

A verdade é que essas estratégias que tornam o tempo mais visível/palpável devem servir de apoio para a nossa organização. “Mas o principal é que antes de reclamarmos da falta de tempo, temos que ter uma estratégia. Temos que ‘desligar e olhar para o nosso eu’, defende ela.

Mesmo sabendo que somos seres holísticos, “integrados com o planeta”, nota-se que os dias estão encurtando e os afazeres em série e a ansiedade fazem com que assumamos mais conhecimento (e menos sabedoria). “Assim, preenchemos a vida e mentes de informações, algumas até desnecessárias”. A professora lembra que a pergunta básica de quem reclama de falta de tempo deveria ser: “Estou sabendo viver?”

Se a pessoa souber responder a isso e, assim, priorizar o que gosta com a mínima organização, terá encontrado a chave para dominar o tempo, multiplicar os segundos e viver com menos ansiedade, fazendo tudo dentro de uma ordem estabelecida.

‘GENTE ENROLADA’

Cidinha observa, ainda, que há diferença entre as pessoas que têm muita ocupação e as enroladas. As com muita ocupação geralmente são pontuais. As enroladas são as que não sabem organizar e tirar o máximo dos minutos. “ As pessoas que não dão desculpas, fazem, e curtem o prazer de fazer bem feito. Com isso, evoluem”, destaca.

Para a professora, é preciso observar a natureza e entender que “o sol não se atrasa e a natureza cumpre o papel dela. Deveríamos ser assim. Somos nós quem determinamos nosso tempo biológico, inclusive para escolher nossas tarefas”.

E é se espelhando na natureza que se transforma em ciclos, faz uma coisa de cada vez –terra, semente, folha, flor, frutos, cair das folhas, voltar à terra, virar semente de novo – que deve-se encontrar a energia correta para aquela que vai ser a chave da multiplicação do tempo: planejamento com foco.


Do fácil ao difícil

Em outras palavras: depois que se estabelecem as prioridades e que se foca na organização, o tempo aparece. E uma das formas de realizar e dar conta do recado é  “ao contrário do que se possa imaginar, fazer a parte mais fácil primeiro e, depois, a mais difícil”, diz Cidinha. Um exemplo: alguém que tem um trabalho escolar e uma louça para lavar. “Lavar, a pessoa faz todo dia, tira de letra, mas o trabalho escolar pesado não, é exceção,  o.k.? Então, lave a louça que é fácil,  por exemplo e, só depois vá fazer o estudo, o trabalho. Sabe por que isso é melhor? Porque você eliminará a ansiedade de ver aquele trabalho fácil. Terá cumprido sua tarefa e, com a cabeça limpa, fará o trabalho seguinte de forma mais focada”.


O prazer de fazer

Um dos nossos complicadores atuais são as inúmeras “novidades” que aparecem nesse ciclo. Uma necessidade nova a cada momento. Pare para pensar: administrar o tempo é organizar a sua vida de tal maneira que tenha tempo para fazer as coisas que são realmente importantes, tanto no âmbito pessoal quanto profissional.  Dica adicional da especialista: nada de ao final do dia, pensar no amanhã. “Todo mundo aqui, tem essa mania, mas isso só precipita a ansiedade, o problema e se dorme mal.”

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