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Com água de reúso, Grande São Paulo teria mais dois Cantareiras

Por Heloísa Brenha | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Dentro da Grande São Paulo, um estoque de água equivalente a dois sistemas Cantareiras e capaz de sanar sua crise de abastecimento está sendo ignorado.

Essa é a visão do professor de engenharia hidráulica da USP Ivanildo Hespanhol sobre os cerca de 60 mil litros de esgoto que a maior região metropolitana do País produz a cada segundo.

Uma das principais autoridades do Brasil em reúso, ele defende que a técnica seja utilizada para “reciclar” a água que escorre por ralos e descargas, tornando-a própria para consumo.

Atualmente, a água de reúso não é utilizada para abastecimento, mas, em menor escala, para processos que dispensam água potável, como limpeza de vias públicas, irrigação de jardins e na produção industrial.

Falta regulamentação para a medida, que é vista com ressalva por parte da população, mas já é adotada para abastecer cidades inteiras em países como EUA e Bélgica. “Temos cinco estações que tratam esgoto num nível inicial. Poderíamos completar o tratamento incluindo mais etapas, capazes de tornar a água potável de novo”, diz.

Hespanhol afirma que só nessas cinco estações seria possível obter mais 16 mil litros de água por segundo para a Grande São Paulo, o suficiente para abastecer cerca de 4,8 milhões de pessoas.

De acordo com ele, o custo de produção é mais alto - nos Estados Unidos, diz, 1.000 litros de água de reúso custam cerca de R$ 3,00, mais que o triplo da comum. Mas compensam quando comparados à construção de sistemas de abastecimento, que requerem obras bilionárias, com longas adutoras.

“A tecnologia do reúso é avançada suficiente para produzir água limpa e segura para beber”, diz o professor, que comanda o Centro Internacional de Referência em Reúso de Água (Cirra).

Ele cita o caso da represa Billings (zona sul), de onde são retirados 4 mil litros de água por segundo para abastecer a Grande São Paulo -o suficiente para atender cerca de 1,2 milhão de pessoas.

“A Billings recebe esgotos que passam por uma sequência de rios muito poluídos: Tamanduateí, Tietê e Pinheiros. E sua água é captada para abastecimento. Para mim, isso é reúso”, diz.

Em seu último relatório de sustentabilidade, a Sabesp diz que, só em 2013, investiu R$ 48,4 milhões em um programa de tratamento e preservação dessa represa e de sua vizinha, a Guarapiranga.

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