Quioshi Goto |
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Jéssica Remanzini vai ao trabalho todos os dias de bicicleta |
No Dia Mundial Sem Carro, comemorado hoje, ciclistas apontam desafios e preocupação ao pedalarem por trechos urbanos de Bauru. As dificuldades vão desde o trânsito intenso e o número modesto de ciclovias em ruas e avenidas da cidade até a falta de respeito dos motoristas. O poder público garante melhorias com o Plano de Mobilidade, que deve começar a ser executado no final do ano (leia mais ao lado).
O aumento diário na frota de veículos em Bauru explica os congestionamentos e a “briga” por espaço nas vias. De acordo com dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), a frota total hoje na cidade é de 251.672.
Os ciclistas sentem o reflexo da estatística. Há um ano e meio, a professora de educação física Jéssica Remanzini, 23 anos, trocou o conforto do carro pela praticidade da bicicleta. Todos os dias, ela percorre cerca de quatro quilômetros para chegar ao trabalho.
“Só uso o carro quando preciso, em dias de chuva”, conta. Além do trabalho, desde o início do ano a bike é o transporte mais usado para ir à faculdade, onde ela observa que poucas pessoas fazem o mesmo. “Tem a minha e mais umas três bikes.”
Para Jéssica, falta estrutura adequada nas vias para incentivar a população. “As pessoas falam que têm medo de andar de bicicleta porque os motoristas não respeitam”.
Outra ciclista ativa, a jornalista Joelma Marino Rosa, 38 anos, que também prefere ir ao trabalho de bicicleta, confirma o medo citado por Jéssica. “O trânsito é muito intenso e precisa ter cuidado. Acho que o motivo de muitos não usarem bikes é a falta de ciclovias.”
O segurança Paulo César de Sousa, 46 anos, comprova a critica. Ele percorre 12 quilômetros por dia de bicicleta entre a ida e volta do trabalho. “De todo o trecho que eu percorro, apenas cerca de 1 mil metros tem ciclovia”, critica.
Paulo também reclama da falta de respeito dos motoristas e motociclistas, dizendo que precisa redobrar a atenção enquanto pedala. Porém, não troca o meio de transporte. “Com ônibus circular demoro 15 minutos a mais para chegar no trabalho.”
‘Vou de bike’
Assim como em anos anteriores, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) vai comemorar o Dia Mundial Sem Carro indo para a prefeitura, à tarde (devido a compromisso político de manhã com o vice-presidente do Brasil, Michel Temer), de bicicleta.
“Vou de bike, sim. O pessoal já está acostumado a me ver pedalando. Apesar de eu estar andando menos do que gostaria”, disse. “O grande desafio é encorajar as pessoas a largar o carro e ir de bicicleta, que é uma ótima forma de praticar atividades físicas e sem custo.”
Para encorajar a população, Agostinho garante que as vias da cidade serão melhores estruturadas para oferecer mais segurança aos ciclistas. “Estamos terminando, esse ano, o Plano de Mobilidade. Serão projetadas as futuras ciclovias da cidade”, banca. “Nos próximos dois anos, também instalaremos bicicletários em pontos estratégicos da cidade.”
Grupo faz estudo sobre o tráfego de bicicletas
Em maio deste ano, o grupo “Pedala Bauru” realizou um estudo para analisar o tráfego de bicicletas em dois pontos da cidade e apresentaram sugestões de melhorias à prefeitura. Membro do grupo, a professora Jéssica Remanzini explicou que a equipe permaneceu nos viadutos Mauá e Eufrásio de Toledo, contabilizando o número de ciclistas no local.
“Ficamos das 6h às 19h. Nos dois pontos passaram cerca de 200 ciclistas. Os horários de pico são entre as 6h e 9h, e das 16h às 19h. Apresentamos o projeto para a Emdurb e eles estão animados. Bauru está caminhando bem nessa questão”, diz Jéssica.
“Com relação à sustentabilidade, a bicicleta é barata e democrática, não polui, não congestiona o trânsito e é muito mais fácil de estacionar. Muitos motoristas não nos respeitam, mas temos que começar a reverter essa realidade.”