Articulistas

A engenharia e a cidade do futuro

Afonso Fábio
| Tempo de leitura: 2 min

As cidades estão no centro de mudanças radicais em função da migraçao de pessoas do campo para a área urbana. Em mais alguns anos, 70% das pessoas estarão morando nos centros urbanos. Essas mudanças envolvem não apenas a construção de moradias e ruas, mas desenvolvimento econômico, ecológico, técnico e social. O número de pessoas pulará, em 20 anos, dos atuais 3,5 bilhões para cerca de 5,6 bilhões, lembrando que edifícios, ruas e infraestruturas urbanas não podem ser construídos tão rapidamente, além de exigir uso excessivo de energia, matérias-primas e capital. Com a atual velocidade do crescimento econômico global, corremos o risco de desvincular o crescimento das cidades do desenvolvimento na área de energia, tecnologia da construção e tráfego, perdendo a chance que o desenvolvimento urbano traz.

Quanto mais denso é o centro urbano, menos energia consome devido um consumo claramente menor de área ocupada por pessoa e trajetos mais curtos em transporte e trânsito, mas também dá chance de surgir maior densidade de potencial criativo, formando a base de uma nova sociedade econômica. Está claro que uma cidade sustentável só pode ser desenvolvida com o uso de novas tecnologias em vista da população crescente, mas também está claro que a cidade do futuro será complexa, onde sistemas digitais serão embutidos em estruturas existentes e demandarão uma nova concepção. Quanto ao aumento das nossas demandas no tocante ao bem-estar, segurança, conforto e qualidade de vida, ainda não existe nenhuma previsão de como serão as cidades no futuro.

Portanto, qual será, então, a base econômica da cidade do futuro? Com o que as pessoas vão se ocupar e como ganharão seu sustento? O que a cidade do futuro oferecerá ao homem? Como estarão os recursos naturais, com muitas fontes hoje limitadas e sem capacidade de renovação, gerando cada vez mais impactos ambientas ?

Com certeza caberá à engenharia renovar conceitos e atitudes e investir em tecnologias sustentáveis e mais inteligentes na busca da eficiência energética, investir na otimização de custos e consumo e na sustentabilidade através da geração de energia renovável e investir também na implantação de tecnologia de armazenamento de energia e na gestão integrada de energia assegurando níveis máximos de conforto e segurança ao cidadão. A participação do engenheiro é dever, é direito e fundamental!


O autor é engenheiro em Bauru

Comentários

Comentários