Internacional

Acusadas de contrabando, brasileiras estão detidas há um mês na Venezuela

Folhapress
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Duas brasileiras estão detidas há quase um mês no interior da Venezuela sob acusação de contrabando na fronteira, delito sobre o qual o governo do presidente Nicolás Maduro vem apertando o cerco em razão da escassez de vários produtos de consumo no país.

A informação foi revelada nesta segunda-feira (22) pelo site Amazônia Real e confirmada à reportagem por fontes consulares, que disseram estar prestando a devida assistência.

Luciana Pereira, 24 anos, e Lousineidi Sousa Silva, 28 anos, foram interceptadas em 25 de agosto por militares venezuelanos nos arredores da cidade fronteiriça de Santa Elena de Uairén e levadas em seguida a uma delegacia de Puerto Ordaz, a 700 quilômetros da fronteira.

Aparentemente, elas foram detidas quando tentavam retornar ao Brasil com produtos de consumo comprados na Venezuela a preços muito mais atrativos.

Segundo disse Nelson Perez, advogado das brasileiras, a um jornal venezuelano, Pereira e Silva carregavam cloro, detergente em pó, xampu e desodorante, artigos cuja venda para fins de exportação está proibida, conforme decreto presidencial implementado três dias antes da prisão.

O decreto é uma maneira de estancar a escassez no comércio venezuelano causada em parte por contrabandistas que adquirem os produtos na Venezuela, onde preços são muito inferiores por ser tabelados e subsidiados, para revendê-los em países vizinhos.

A pena para quem descumprir a lei prevê encarceramento de até 14 anos.

Perez nega que as brasileiras estivessem fazendo contrabando e diz que a detenção foi "ilegal."

"Esta arbitrariedade pode se tornar um problema entre chancelarias", adverte o advogado, em declarações ao "El Fortin de Guyana."

Uma fonte consular brasileira disse à reportagem que as brasileiras poderão ficar até 90 dias presas à espera de um julgamento que deverá decidir se elas serão expulsas da Venezuela ou transferidas para uma cadeia.

Segundo a fonte, detenções por contrabando são comuns e já ocorriam antes do decreto presidencial.

"Antes o contrabando era de combustível, cujo preço é irrisório na Venezuela. Agora, existe uma nova lista de mercadorias que o governo proíbe de ser transportadas para fora do país," disse.

O governo Maduro acusa os contrabandistas de formar parte de uma guerra econômica que tenta minar avanços conquistados pelos venezuelanos carentes graças às políticas de redistribuição de renda implantadas a partir da chegada do então presidente Hugo Chávez ao poder, em 1999.

A oposição afirma que a escassez de bens de consumo básico reflete a incompetência de um governo corrupto e incapaz de tirar proveito dos ganhos com petróleo para prover condições de vida normais à população.

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