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Quais são os seus valores?

Alexei Lisounenko
| Tempo de leitura: 3 min

Demorei muito tempo meditando sobre um assunto que me incomodava há semanas, até que não me contive e resolvi escrever para os senhores leitores. Alguém aqui que lê este artigo saberia dizer o nome do brasileiro que ganhou o Nobel da Matemática? Se você respondeu e acertou, parabéns, se errou ou não soube, eu tenho a honra de lhe apresentar o brilhante brasileiro de apenas 35 anos Artur Ávila. No dia 12 de agosto de 2014, o matemático brasileiro recebeu a Medalha Fields, um prêmio equivalente ao "Nobel" de matemática. Ávila é o primeiro pesquisador brasileiro e da América Latina a receber a medalha. Ela é dada pela União Internacional de Matemáticos a quatro pesquisadores do mundo. Nascido no Rio de Janeiro no ano de 1979, Ávila fez graduação na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e cursou o mestrado e o doutorado em matemática no Impa. Aos 19 anos, ele começou sua tese de doutorado baseada na teoria de sistemas dinâmicos, terminou em 2001, quando foi para França fazer pós-doutorado. Não sou fã de matemática, tampouco me dou bem com os números, mas pelo feito histórico e notável precisava expressar minha opinião com a repercussão desta conquista, uma repercussão pequena e até mesmo silenciosa, velada, parece que nada aconteceu no dia 12 de agosto.

Na minha forma de pensar sobre o país e a sociedade brasileira chego à conclusão de que este rapaz deveria ser homenageado de uma forma grandiosa, como a do seu feito, ter uma universidade batizada com o seu nome, ter sido recebido pelas nossas autoridades federais, estaduais, municipais e ser condecorado com as maiores honrarias, percorrer as ruas das principais capitais em carro aberto para que ficasse bem claro que o país se orgulhava deste gênio e de sua conquista, que este de fato é um país de grandes conquistas, e que este matemático servia de exemplo para que mais pessoas se aventurassem no universo das ciências, que ele fosse visto como um herói, que de fato o é, e que cativasse mais seguidores. Meu falecido avô, também Alexei, me dizia que o mundo precisa de grandes exemplos para serem seguidos. Mas o que podemos fazer quando esses exemplos são esquecidos e subvalorizados? Por que uma criança vai se esforçar para estudar matemática se o melhor matemático da América Latina, e um dos melhores do mundo, pouco significa para a sua nação?

O nosso problema vem de cima, governantes e de baixo, nós. Me atrevo a dizer que o Brasil só tomará um rumo certo, seguro e promissor para resolver todos os seus problemas críticos, de saúde, infra estrutura, moradia, segurança, e tantos outros, a partir do momento em que se investir de forma séria e efetiva em cultura e educação. Temos no dia 5 de outubro a oportunidade de melhorar, ou tornar menos pior a nossa situação da parte de cima, mas podemos iniciar hoje uma revolução em nossas vidas e na dos que nos cercam.


Um homem só idealista é como um sonhador que vive à espreita da sua sorte, mas um homem idealista, com conhecimento e vontade faz a sua sorte. Você se lembra do nome do brasileiro que ganhou o Nobel da Matemática? O Brasil tem muito mais a mostrar ao mundo, depende de nós!

O autor é maestro em Bauru

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