Tribuna do Leitor

Dia do Trânsito


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Apropósito do Dia Nacional do Trânsito, nesta quinta-feira, vale lembrar algo de 30 julho de 1972, uma crônica jornalística de Lourenço Diaféria ? na Folha de S. Paulo ? com o título "Ultimo aviso aos motoristas: rezem". Merece transcrição. "Glorioso São Cristovão, ouça por gentileza a súplica deste modesto motorista, que deseja apenas atravessar com êxito a Duque de Caxias e encontrar um lugar para estacionar na Barão de Limeira. Daí-me sangue frio bastante para não perder a cabeça nos cruzamentos e a tranquilidade para enfrentar em desigualdade de condições os ônibus e os caminhões, que são dirigidos por filhos de Deus (mas não parecem). Livrai-me das finas, das cortadas, das brecadas violentas, dos pneus carecas, dos escapamentos abertos, dos motoristas dominicais, dos taxis de frotas, dos táxis autônomos, dos entregadores de bebidas que estacionam nas esquinas, dos carros oficiais, das viaturas de policia e dos carros blindados que transportam valores. Livrai-me dos carros, meu santo.

Ó piedoso São Cristovão, que passaste a vida inteira andando a pé, certamente por saberes que motorista é uma peste, protegei-me dos bêbados, dos cavalos e vacas nas pistas, das estradas mal sinalizadas, da cerração da via Anchieta, dos buracos da via Anhangüera, das curvas da Raposo Tavares, dos loucos da Dutra, dos deslumbrados da Castelo Branco. Livrai-me das Marginais e, se não for pedir muito, dos marginais. Zelai pelos limpadores de para-brisa e pelo bom funcionamento das lanternas e faróis. Afastai de mim os mecânicos improvisados e os guinchos de beira de estrada, que certamente são filhos do capeta ou coisa pior, e que sem dúvida ali estão para nos tentar o coração e lançar-nos no desespero infernal. Cuidai para que não nos fure o radiador, nem nos arrebente a correia do ventilador, nem na ida nem na volta. Daí-nos a paciência de José Carlos Pace, a pericia de Emerson Fittipaldi, a experiência de Fangio, para que possamos atravessar a cidade sem maiores riscos e piores complicações, além das normais. Livrai-nos de multas, admoestações, impropérios e estacionamentos fajutos, cujos preços clamam aos céus.

Daí-nos a fortaleza de espírito de 100 HP e moderai nossa ambição para que não ultrapasse o limite estabelecido. Purificai nossa mente com os melhores aditivos e que jamais tenhamos fundidos a cuca e o motor. Afastai-nos das filas do DETRAN. Poupai-nos dos congestionamentos com ou sem chuva e desviai de nós os postes, buracos e as placas de trânsito impedido. Alargai as ruas e o leito carroçável e afastai de mi os pedestres, que não sabem o que fazem. Daí-me semáforos abertos, pistas livres, viadutos desimpedidos, guardas corteses, suspensões confortáveis, música de fita e companhia agradável, além da pavimentação sem defeito. Livrai-me (das pessoas distraídas) ao volante. Livrai-me de carros envenenados. Livrai-me de todos os outros venenos que fazem o footing na Consolação, na Rebouças, na Angélica, na Maranhão, na Paulista, na Augusta, na Brasil, na Republica do Líbano, na Rego Freitas, na Bento Freitas, na Xavier de Toledo, na Doutro Arnaldo, na Minas gerais, na Rosa e Silva, na Protestantes, na Amaral Gurgel ? a fim de que eu nunca estacione na contramão ou sobre a calçada. Poderoso São Cristovão, livrai-me principalmente de mim mesmo e das minhas barbeiragens. Amém."

Naquela época não existia a quantidade de veículos como hoje, as lotações de passageiros e escolares, uso do aparelho de celular, falta de energia elétrica interrompendo os semáforos, além do aumento da criminalidade e das pessoas que esquecem as crianças dentro dos automóveis. Quanto à parte que cita as pessoas distraídas, está substituindo a uma definição de raça citada no texto que mesmo sendo da década de 1970, nos dias de hoje é 100% discriminatório e passível de plena punição jurídica, caso fosse circulado na internet.

Há uma diferença entre estar instruído e estar educado. Embora você esteja inteirado sobre as regras de trânsito e circulação, o motorista nem sempre está educado para tanto, tenha em mente a grande regra para a boa circulação: "O motorista deve portar-se como gostaria que os demais se comportassem com ele, portanto, muitas vezes ceda para tentar manter o seu direito; em trânsito, vale muito mais a prudência. José Carlos Pace, ou Carlos Pace, o Moco, foi um piloto brasileiro de Fórmula 1, vencedor do Grande Prêmio do Brasil de 1975. Emerson Fittipaldi é um ex-automobilista brasileiro. É um dos mais vitoriosos da nossa história, e foi o primeiro brasileiro a se tornar campeão mundial de Fórmula 1. Juan Manuel Fangio foi um automobilista argentino. É um dos maiores nomes da historia deste desporto.

Ronaldo Cesar Barbosa de Matos

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