Tribuna do Leitor

Bola na mão ou mão na bola?


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Há cerca de 120 anos Freud se afastou do médico frances Charcot, especialista em hipnotismo. Ao menos romântica e poeticamente ele saiu perdendo ao se afastar da bela Paris. Todavia, foi por esta época que ele acabou criando a psicanálise. Por deixar de lado as sugestões e outros problemas naturais ao hipnotismo, com seu método ele deixava o cliente deitado e passava a ouvir sua fala. Além de Charcot e Breuer, muitos outros médicos colaboraram para que ele estruturasse a psicanálise.

O grande psiquiatra gastou cada minuto de sua vida na busca e interpretação do que ocorria na mente de seus clientes. Ao ler as obras do grande psiquiatra vemos o quão difícil era entender gestos, modo da fala, problemas vários, etc, dos clientes que o procuravam. Mas no fundo ele perdeu tempo. Se tivesse convivido com gênios como os comentaristas esportivos de hoje talvez tivesse menos trabalho. Para estes comentaristas, não constitui problema deliberar se houve ou não vontade de jogador ao analisar seus gestos.

E, de longe, acrescente-se: além de distribuir a teoria de se chutar de forma generalizada, costume combatido pelos professores dos vestibulares, ainda se colocam numa posição de falsa sabedoria, como combatia há mil anos o franciscano apelidado de Doctor Mirabilis, Roger Bacon. Conclusão: talvez movida por alguma comissão de caráter mundial, a Fifa resolveu colocar um ponto final. Toda vez que a bola bater no braço de algum jogador, exceto o goleiro, caracteriza-se uma irregularidade.

Esta decisão não é novidade. Há mais de 20 anos já vi o Zagallo, do meu Botafogo de Didi e Mané Garrincha, falar sobre isso. Cabe então aos jogadores prestarem mais atenção sobre isso. Afinal, só quem nunca jogou bola imagina ser fácil jogar a bola no braço de outro. Mesmo porque jogador de bola não é bobo.

Rui Bertoti


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