Quioshi Goto |
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Acidentes leves são maioria em avenidas de grande fluxo, como é o caso da Comendador Martha; hoje é o Dia Nacional do Trânsito |
As mortes no trânsito de Bauru cresceram 25% em 2014, considerando a comparação entre os primeiros oito meses deste ano e o mesmo período do ano passado. O percentual é cinco vezes maior do que o índice de aumento da frota, que foi de 5%.
Embora a expansão do número de veículos nas ruas não possa explicar, sozinha, os motivos da intensificação da violência nas ruas, a relação que se estabelece entre estes dois parâmetros vem sendo estudada pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) como forma de tentar minimizar o problema do trânsito, cujo Dia Nacional é celebrado hoje.
Segundo estatísticas da autarquia, 20 pessoas morreram vítimas de acidentes em Bauru entre janeiro e agosto, ante as 16 que perderam a vida nas mesmas circunstâncias no ano passado, um aumento de 25%. Já a frota cresceu 5%, passando de 241.207 veículos em agosto de 2013 para 253.568 no mesmo mês de 2014.
Engenheiro do setor de estatísticas de acidentes da Emdurb, Nelson Augusto Neto explica que a autarquia estuda um modelo que possa auxiliar na detecção dos locais críticos para ocorrências, que não são necessariamente aqueles em que o número absoluto de registros é maior. “A partir de um índice que relacione o fluxo de veículos em um endereço com o volume de acidentes contabilizados neste local, poderemos identificar falhas e realizar melhorias viárias”, cita o engenheiro.
Ele destaca que o uso deste tipo de indicador vem sendo exigido pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e foi inspirado em uma experiência de Araraquara, apresentada no seminário “Mobilidade segura e sustentável: casos de sucesso”, promovido pela Associação de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag) no último dia 18.
Readequações
De acordo com Nelson Augusto Neto, a prioridade será dada às vias em que foram registrados acidentes com vítimas fatais ou graves. As equipes da Emdurb irão até estes endereços, farão a contagem da quantidade de veículos que circulam por hora e irão compará-la com o número de ocorrências de trânsito por mês ou por ano, para, então, formar o índice.
“E, certamente, esta relação poderá nos mostrar com maior clareza, por exemplo, que em alguns bairros de menor fluxo há, proporcionalmente, uma incidência maior de acidentes graves. E é onde priorizaremos algumas readequações de engenharia de tráfego”, adianta.
No extremo oposto, Augusto Neto cita a enorme quantidade de veículos que circula pelo cruzamento entre as avenidas Nuno de Assis e Rodrigues Alves. Ainda que, em números absolutos, o volume de acidentes possa ser maior, proporcionalmente, o problema pode estar mais relacionado à frota em si do que com deficiências de sinalização, manutenção do pavimento ou ordenação do tráfego.
“Até então, tínhamos apenas os dados absolutos. O setor de estatística foi criado há pouco tempo e estamos nos aprimorando aos poucos. A intenção é de que este trabalho, aparentemente frio, possa diminuir a perda de vidas e de pessoas feridas em acidentes”, completa.
Erro humano ainda é o grande vilão
Embora estudos que relacionem a frota aos acidentes possam contribuir para reduzir o volume de ocorrências, a Emdurb e a Polícia Militar avaliam que a imprudência e a negligência de condutores de veículos e pedestres ainda são os principais vilões do trânsito.
“O crescimento da frota é apenas um quesito que aumenta as chances de acidentes. Mas o erro humano - seja por excesso de velocidade, embriaguez ou inabilidade para dirigir - ainda é a principal causa das ocorrências graves”, pondera o primeiro tenente José Sérgio de Souza, comandante do Pelotão de Trânsito da PM.
Segundo dados da autarquia, das 20 pessoas que morreram em Bauru, apenas uma era motorista. Os demais eram pedestres que foram atropelados ou motociclistas.
Para tentar coibir a elevação dos índices, o tenente destaca que a PM realiza fiscalizações de trânsito diárias, com foco principalmente em motocicletas. Em parceria com a Emdurb, a polícia também realiza blitzes para flagrar mototaxistas irregulares. Aos finais de semana, promove, ainda, as chamadas operações “Direção Segura”, que visa flagrar motoristas embriagados.
‘Eu escapei, mas poderia ter sido pior’, diz Marjorie Serikaku
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Divulgação |
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Marjorie Serikaku, 27 anos, é publicitária; Contato: marjorieserikaku@hotmail.com E a moto quebrada com o impacto; no detalhe |
"A noite do domingo passado será inesquecível, mas não por um bom motivo. Por volta das 21h30, na rotatória do Colina Verde, bati em cheio minha Biz numa vaca que surgiu do nada para o meio da pista (que está em obra). Eu voltava para casa, na Pousada da Esperança 2, e fiquei inconsciente ao colidir com o animal. Fui socorrida por motorista que passava ali com a família. Entraram em contato com o Samu, que me levou até o Base. Só sei que o trecho está em obras e que o animal, de cor escura, sumiu depois do impacto."
"O resultado é que quebrei dois dentes, tive inchaço na mão direita e pé esquerdo imobilizado com dedo quebrado. Deixei o Base na segunda quando tive alta, porém, passei pela UPA do Mary Dota na terça (23 de setembro), pois as dores continuavam e, no Base, não identificaram que o dedão do pé estava quebrado. Voltarei ao hospital nesta quinta para verificarem se será preciso engessar. Estou de licença. Preciso retornar ao trabalho e uso a moto para isso. Com tudo acontecendo, fico me perguntando: cadê o dono da vaca para se explicar? Se alguém souber de alguma pista, aceito informações. E se eu estivesse com meu sobrinho na garupa? Aconteceu comigo, podia ser com qualquer um."
