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Em nome do esporte

Olival Miziara
| Tempo de leitura: 4 min

Caríssimos apaixonados pelo futebol, deixemos um pouco de lado a economia e a política, e falemos dessa nossa paixão brasileira. Nesse passo, como o "pão" não melhora (salário, aposentadoria, etc.), melhoremos, então, o "circo". Aliás, já melhoramos: construímos estádios de causar inveja aos ricos! Melhoremos, agora, o esporte praticado nessas suntuosas arenas, o futebol.

É aqui que eu entro, pedindo vênia para tecer considerações e, humildemente, sugerir algumas mudanças, com o fito, repito, de melhorar o espetáculo futebolístico, em nome do lazer dos milhares de torcedores brasileiros que semanalmente vão aos estádios, pagando caro para de lá saírem, muitas vezes, sem gritar "gooooool" (!!!), esse grito que é o mínimo que se espera quando se vai assistir ao jogo. Exagerando um pouco: futebol sem gol é como um jogo de basquete sem "cestas"; imaginem! Voltando ao futebol, realmente é inadmissível jogo sem gol; isso decorre de algumas regras, superadas a meu ver, impostas pela Fifa/CBF, e tem que mudar, sob pena até de não mais pagarmos pelo espetáculo, que hoje nada tem de espetacular. Acredito, pois, que há o quê mudar, pelo que conclamo a todos a uma reflexão acerca desse esporte empolgante, emocionante, o futebol.

E pensando nisso tudo, mormente no torcedor, o povo brasileiro, esse que paga, que vibra, que briga, que chora e até morre pelo seu time, é que ouso sugerir algumas mudanças nas regras, depois de refletir a respeito. Pois bem, vamos a elas: I) TEMPO DE JOGO: tem que ser controlado no cronômetro do estádio, digamos, por um árbitro-mesário, onde todos veem quanto tempo falta e etc, como no basquete; é limpo, é justo, é profissional, onde todo jogo fica com o tempo igual; o cronômetro só é acionado com a bola em jogo; isto não só acaba com a "cera" daquele jogador catimbeiro (o antiprofissional), como também sai do critério desse "ser supremo", o árbitro, aqueles acréscimos que ele dá, menos aqui, mais ali, conforme seu "achômetro"; todavia, não é no "achômetro" é no cronômetro, visível ao torcedor que ali está pagando os salários de todos os que estão em campo; conseguintemente, fim daquela confusão/demora para, p. ex., formar-se uma simples barreira ou na substituição de um atleta; fim daquele fingimento do jogador que cai "machucado", mas não está; fim da malandragem, enfim!

II) EMPATE: tem que acabar, mesmo com gols (0 x 0, então, não é o "fim do mundo", é o "fim do universo", é o absurdo do absurdo!); não dá mais para pagar e assistir a um jogo onde uma ou as duas equipes entram na retranca, para empatar, querendo um pontinho, ou, pior, não tiveram a capacidade, a competência, de fazer pelo menos um (1) gol; isso é inaceitável, não dá mais (!); fácil solução: o time que ganha no tempo normal, ganha três (3) pontos; empatou? pênaltis (3 ou 5 para cada lado); o time que ganhar nos pênaltis ganha um (1) ponto; o time que perdeu não ganha ponto nenhum; resultado: seja no jogo, seja nos pênaltis, a torcida gritará "goooooool", pois pagou pra isso, ora!

III) LATERAL COM OS PÉS: primeiro, ninguém põe a mão na bola a não ser o goleiro, a exemplo, aliás, do futebol de salão; segundo, lateral com os pés resulta em mais bolas na área, em busca do ponto, pois, repitamos, o torcedor paga caro pra gritar "goooool" e ver essa bendita rede balançando; terceiro, como não há impedimento na cobrança do lateral, bola na área, o que aumenta a expectativa, a emoção, a jogada de gol, a chance, enfim, do grito de gol!!!!

IV) TORCIDA: cada uma no seu estádio; jogo no Itaquerão, só corintianos; no Morumbi, são-paulinos; no Parque Antártica, palmeirenses, na Vila, santistas; e por aí vai; resultado: menos tensão, menos conflitos entre torcedores, menos brigas, menos tudo o que estraga o espetáculo; na outra ponta: mais segurança, mais tranquilidade, mais lazer, mais famílias, mais crianças nos estádios; pode não resolver 100%, pois há sempre o torcedor selvagem no meio da multidão, mas, certamente, diminuirão muito, muito mesmo, esses espetáculos bizarros proporcionados por aqueles torcedores que deveriam estar na cadeia e não lá, no meio das pessoas de bem!

Por derradeiro, voltando ao cronômetro, a Federação pode perfeitamente disponibiliza-lo (portátil), a cada jogo, àquele estádio que não o tenha (mas terá), ficando o mesmo junto à mesa desse árbitro que cronometrará o tempo, à vista de todos. É muito simples!

Bem, amigos do esporte, em princípio é isso aí. Entendo, modestamente, que estas sugestões são perfeitamente aplicáveis, podendo ser adotadas com muita facilidade e rapidez. Zero a zero em final de campeonato é um belo chute... pra fora! Aos que amam o futebol, reflitam acerca disto. E divulguemos; quem sabe dá certo. Meu objetivo é a evolução do futebol: deixa de ser jogo para ser esporte!

O autor é advogado

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