João Rosan |
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Segundo Benedito Valencise, do Deinter-4, queda reflete “grande número de prisões” e também “bom índice de esclarecimentos” |
A região de Bauru registrou a segunda maior queda de ocorrências de roubo em todo o Estado, no mês de agosto, segundo as estatísticas de criminalidade divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) nesta semana. Na área do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 4 (Deinter-4), que abrange 89 municípios, foram 216 registros, ante os 243 contabilizados no mesmo mês do ano passado.
A redução de 12,5% só não foi maior do que a da região de Presidente Prudente, em que o índice negativo foi de 22%. Também tiveram queda no volume de roubos as regiões de Piracicaba (9,2%), Ribeirão Preto (1%) e São José dos Campos (0,9%). Já a Capital, Grande São Paulo e regiões de Santos, Sorocaba, Araçatuba, Campinas e São José do Rio Preto registraram aumentos que variaram de 4,2% a 24,1%.
Segundo o diretor do Deinter-4, Benedito Antonio Valencise, a queda dos roubos na região de Bauru pode ser atribuída ao “grande número de prisões” de assaltantes registrada no último ano, bem como ao “bom índice de esclarecimentos” de crimes desta natureza. “Quando uma quadrilha é presa, o número de ocorrências cai imediatamente porque ela sai de circulação. E as que continuam nas ruas sabem que a polícia está agindo”, pontua.
Valencise destaca, no entanto, que a maior parte dos roubos é registrada contra pedestres e tem como alvo aparelhos celulares. Os equipamentos se popularizaram nos últimos anos e costumam distrair seus proprietários, o que contribui para a ação dos criminosos.
Para tentar coibir este tipo específico de roubo, o diretor do Deinter salienta que fiscalizações em lojas que comercializam telefones móveis usados foram intensificadas. “Quando o proprietário não apresenta a nota fiscal dos produtos, todas as mercadorias são recolhidas. Acreditamos que boa parte delas sejam produto de roubo e furto”, considera.
Veículos
O volume de furtos – quando não há qualquer tipo de violência ou ameaça contra a vítima - caiu 6% em agosto, de acordo com os dados da SSP. No mês passado, foram 1.696 ocorrências na região, ante as 1.799 contabilizadas em agosto de 2013.
Em contrapartida, os roubos e furtos de veículos sofreram acréscimo. Os roubos subiram de 11 para 15 ocorrências no mês passado e os furtos, de 168 para 239. Valencise argumenta que o índice de esclarecimento deste tipo de crime chega a 80%.
“E, com a nova Lei dos Desmanches, a tendência é de que os índices comecem a cair. Trata-se de uma operação integrada entre diversos órgãos da Secretaria de Segurança Pública e que deve surtir efeitos rápidos”, pontua.
A primeira operação realizada em Bauru, no dia 11 deste mês, interditou três lojas de revenda de autopeças usadas, que tiveram as portas bloqueadas com paredes de tijolos.
Homicídios
Há uma preocupação da Polícia Civil, no entanto, em relação ao avanço no número de homicídios. Na região de Bauru, o número cresceu de 7 para 13 casos em agosto. O diretor do Deinter sustenta que o crescimento deve-se, em grande parte, à elevação de crimes passionais ou motivados por desentendimentos entre vizinhos ou parentes, que são mais difíceis de prevenir.
“É diferente, por exemplo, de homicídios motivados por dívidas com o tráfico. Quando combatemos o crime organizado, indiretamente também conseguimos prevenir os crimes relacionados a ele”, pontua, destacando que o índice de esclarecimento dos assassinatos na região chega a 75%.
Os flagrantes de tráfico, de fato, cresceram no último ano, passando de 263 registros em agosto de 2013 para 289 no mês passado. Já os casos de estupro tiveram queda, de 59 denúncias registradas em agosto de 2013 para 41 no mesmo mês de 2014.
Bauru
Os dados específicos de Bauru apontam que a cidade manteve uma estabilidade dos principais crimes. Entre janeiro e agosto deste ano, foram 25 assassinatos, três a mais do que o mesmo período do ano passado. Contudo, os estupros tiveram queda de 89 para 86 casos.
Um índice que teve aumento considerável foram os assaltos. Nos oito primeiro meses de 2013, foram 2.242 registros. Este ano, 2.339 perderam bens mediante a ameaças, ou seja 97 casos a mais. Os roubos de veículos também cresceram de 115 para 131.
Em compensação, os furtos tiveram queda relevante. Foram de 16.218 no ano passado para 14.946 neste ano. Uma diminuição de 1.272 registros. Contudo, se os furtos “comuns” caíram, não se pode dizer o mesmo do número de veículos levados pelos ladrões, que aumentou 34,2%.
As ocorrências de tráfico também continuam em ritmo crescente. No ano passado, foram 1.875, ante 2.007 registrados em 2014.
Em tempo: roubo a banco cresceu de três para seis ocorrências e os roubos de carga foram de dez para 18.
