Regional

Barra Bonita busca título de Capital da dança

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 9 min

Na região de Bauru algumas cidades possuem títulos de Capitais. Jaú (47 quilômetros de Bauru) é considerada a Capital do Calçado Feminino. Ibitinga (90 quilômetros de Bauru) é a Capital do Bordado. Atualmente, mais um município desponta para conquistar o título. Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru) quer ser a Capital da Dança. 

 

Atributos não faltam. Inúmeros dançarinos e bailarinos gerados nas academias da estância estão ocupando lugar de destaque no cenário regional, nacional e internacional. O balé clássico, o contemporâneo e a dança de rua estão levando o nome de Barra Bonita além das fronteiras.

 

Divulgação

Dançarinas durante apresentação em Festival de Barra Bonita

A dança conquistou a ala jovem há aproximadamente 30 anos e os resultados positivos incentivam cada vez mais os barrabonitenses a calçarem as sapatilhas. O secretário da Cultura e Turismo de Barra Bonita, Marcos Gava, lembra que a primeira academia “A Roda Viva” foi quem deu o start. “Na sequência surgiram outras academias e outros produtores. A Cidinha Cândido abriu a ‘Primeiro Movimento’ e o Maurício Oliveira começou a realizar os festivais de dança.” 

 

No início eram os festivais regionais e a dança foi ganhando espaço. “Vieram os estaduais e nacionais e internacionais de dança. A “Promodança” realiza oficinas de dança e oferece bolsas aos bailarinos. O ‘Star Brasil’ é outro que a final dele foi na Croácia. Contou com a participação de bailarinos de 34 países, mais de sete mil ao todo. A Estância de Barra Bonita teve 30 selecionados para a final.”  

 

Dentre os bailarinos selecionados, alguns não tinham como custear a viagem e as academias se movimentaram para angariar recursos. “Rifas, feira do livro e apresentações foram feitas no teatro que cedemos para eles conseguirem recursos através da própria arte. A secretaria incentivou os empresários a patrocinarem ingressos para seus funcionários e ajudaram a pagar a viagem.” 

 

Recentemente surgiu o festival de street dance que é em outubro. “É um festival de dança de rua com vários expoentes. Isso despertou na comunidade o interesse pela arte que levado a sério pode se tornar uma profissão. Não podemos esquecer que a dança forma o caráter e a personalidade da criança. As famílias perceberam que o desempenho escolar das crianças melhora com a dança. Durante os festivais recebemos pessoas da América do Sul e jurados internacionais para avaliação”, conta o secretário Marcos Gava.

 

Coreógrafa criou encontro internacional na estância 

 

A professora Maria Aparecida Cândido promove em Barra Bonita há 15 anos o Encontro Internacional de Danças. É através desse projeto que vários bailarinos ganharam notoriedade no Brasil e no Exterior. Ela é também a responsável pelo Projeto Novos Talentos que têm revelado vários expoentes da Estância. 

 

Formada em Educação Física e proprietária da Academia 1º Movimento e Fitness Center, a coreógrafa conhecida por Cidinha Cândido tem um extenso currículo na área. É embaixadora da ESDU no Brasil, organizadora do Dance Star Brasil e coordenadora de dança em escolas de Botucatu e Jaú. Sua dedicação ao trabalho de formar novos bailarinos tem surtido efeitos positivos e levado o nome de Barra Bonita para além fronteiras.

 

O aluno Christian da Silva é bailarino contratado pela Agência Axel. Ele conquistou um ano de bolsa de estudos na Escola de Londres. Atua como professor e coreógrafo no Estado de São Paulo em companhias e escolas de dança. Tamirys Gabriel, após passar por uma seletiva no concurso Internacional de Brasília, conquistou medalha de Prata e ganhou bolsa de estudos por quatro anos no Konservatorium Wien Privatuniversitat, em Viena. Atualmente dança como bailarina contratada no teatro LandestheaterSchlswig-Holsteinem em Flensburg, Alemanha. 

 

Juliane Neves saiu de Barra Bonita e viajou por um ano como bailarina contratada no navio Star Cruz, apresentando-se em países europeus e asiáticos. Atualmente trabalha na Suíça. Isabela Maylart foi a 1ª colocada no concurso American Grand Prix Nova York. Foi aluna bolsista na Escola Sttutgart, Alemanha e atualmente trabalha como bailarina contratada da Companhia de Dança de São Paulo. 

 

Jefferson Damasceno é hoje coreógrafo assistente no balé da cidade de São Paulo. Edson Pereira viaja por toda a Europa há três anos a bordo de navios. Elisa Marcelino trabalha na Turquia e Débora Ignacio é contratada pela JNSA Agency em atua em musicais em Macau, na Ásia. 

 

Cidinha Cândido acredita que a dança é maior do que os passos sobre o palco. “Acredito que a arte da dança atua na educação global. Tem influencia na formação e melhor qualidade de vida. Na academia a arte de dançar é de forma prazerosa. Direcionamos o aluno de acordo com o seu objetivo. São diversos os motivos pelos quais uma pessoa procura a escola; seja por indicação médica, postural, psicológica ou integração social, seja por hobby ou por objetivos profissionais”, diz. Outras alunas estão dando aulas na cidade e em toda região.     

Filha de pioneira continua trabalho de preparação de todos bailarinos

 

Daniela Dias tem a dança no sangue. É filha da bailarina Marcilena Dias, uma das pioneiras em Barra Bonita. Ela seguiu a carreira profissional até 2002 quando saiu da companhia de dança de São José dos Campos. “Fiquei na Cia. por dois anos e meio. Terminei a faculdade de Fisioterapia e voltei para continuar o trabalho que minha mãe iniciou.”    

 

Atualmente, a bailarina tem um grupo de dança. “Tenho um grupo em crescimento. Temos caminhado com os bailarinos conquistado alguns prêmios. É um grupo jovem com 15 bailarinos que estão trabalhando comigo desde então. Uma das últimas premiações contou com uma coreografia de minha autoria. Em todos os festivais que participamos temos sido reconhecidos. Dois integrantes da academia estão com viagem para a Argentina, ganharam bolsas de estudo.” 

 

Ela frisa que, algumas pessoas têm a dança como hobby, com quem também tem conseguido bons resultados. “São aulas diárias com duas horas de duração. Alguns bailarinos daqui estão em escolas de São Paulo. Alguns alunos que seguiram a carreira da dança de outra forma sendo professores, ministrando aulas em outros lugares. A Ana Paula Oioli está no Canadá.

 

Daniela Dias ressalta que sua mãe foi dona da primeira academia de dança da cidade, a Roda Viva,  que hoje tem 37 anos. “A precursora da dança em Barra foi a professora Eutália Bataiola que começou os trabalhos, dança de maneira geral, ela começou com a dança clássica. Minha mãe era bailarina e começou dando aulas de baby class para as filhas das alunas de ginástica. 

 

Projeto social inclui população carente

 

A especialidade do projeto Arte e Movimento é a dança urbana e a inserção dos menos favorecidos no mundo da arte. Já tem 10 anos e é desenvolvido no salão comunitário da Cohab de Barra Bonita. É nesse espaço que as crianças e adolescentes aprendem os primeiros passos. Fabiano Raymundo, conhecido por Binho é o professor. 

 

“Temos aulas teóricas e práticas. O estudo da dança é elaborado para que todos conheçam os 11 estilos diferentes dessa modalidade. Após três ou quatro anos a pessoal atinge um nível bacana. Através do projeto fundamos o Red Star. Separei os melhores alunos e fundamos o grupo para representar nossa cidade. Participamos de vários festivais no Brasil sempre com colocações ótimas. Ganhamos  destaques em participação de TV como ‘Se ela dança. Eu danço’ em 2008. Participamos do programa ‘Astros’ no SBT em 2013 e fomos vencedores.” 

 

Na versão brasileira do Programa Got Talento, que é um programa internacional da Rede Record o grupo  participou e foi até a final. “Foram  10 mil trabalhos selecionados entre dança, música e teatro. Passamos por várias seletivas e ficamos entre os seis melhores do Brasil. O  programa  foi exibido internacionalmente.” 

 

A repercussão foi boa e a partir daí, o grupo passou a ser chamado a fazer espetáculos de dança, uma maneira de ganhar dinheiro com a arte. “Temos espetáculo com luz negra  que é a modalidade de street dance com efeitos. Participamos de feiras convenções, aniversários não só no Estado de São Paulo como no Rio de Janeiro.” 

 

Becos Evolution

Pelo sexto ano seguido, o grupo Arte e Movimento vai participar do Festival Becos Evolution. “Fizemos uma parceria internacional com a Aliance Dance Word Competition. Esse evento é na Califórnia e o nosso festival vai garantir vagas ao 1º, 2º e 3º colocados para participar na Califórnia.”

Outro evento, o Festival Internacional de Hip (FHI-2) de Curitiba, também contará com a participação dos dançarinos de Barra Bonita. “É o maior evento do Brasil de dança urbanas. Outros países participam. Os primeiros colocados do evento de Barra garantem  vaga para participar. Podem ganhar 10 cursos gratuitos. Ficam quatro dias lá, sem custo algum.”

 

Dança  foi mola propulsora para bailarinos viajarem

 

Ana Paula Oioli tem 25 anos, mas graças a dança e a rotina de ensaios parece uma menina ainda. Começou a dançar balé com quatro anos em uma academia da cidade, na Roda Viva, e até os 15 ficou na cidade. Participante ativa de festivais de dança, ela conheceu Camila Pupa e foi para a São Paulo. Pouco tempo depois, aos 17 anos, ela recebeu  uma bolsa de estudos para a Alemanha. Foi para a Ópera de Munique. 

 

“Fiquei três anos na Ópera de Munique e me formei. Fazia estágio com a Cia. e recebi uma oferta de trabalho em Guera, uma cidade pequena na Alemanha perto de Berlim. Trabalhei lá profissionalmente por dois anos e voltei para o Brasil.” 

 

Em terras brasileiras, a bailarina passou a ser jurada nos festivais promovidos no Estado de São Paulo. E na cidade de Santos onde se realiza um dos maiores, o organizador pediu a bailarina que o ajudasse com tradução. “Eu dancei como convidada. O mister Lee, um chinês que mora no Canadá, me ofereceu um trabalho. Estou lá há dois anos. Me apresento como bailarina do grupo.” 

 

O caminho trilhado por Luiz Eduardo Moura, 19 anos, foi diferente daquele que a Ana Oioli caminhou. Ele conheceu a dança pelo projeto social da Casa da Cultura e Cidadania sob a direção e Viviane Carrasco. “Ela também era professora na academia Roda Viva onde eu danço hoje. Fui me envolvendo com a dança. Eu danço balé clássico, contemporâneo e jazz.” 

 

Participante do Promodança, um evento realizado anualmente em Barra Bonita, o bailarino conquistou vários títulos de 1º, 2º e 3º lugar.  “Neste festival de dança, os bailarinos têm bastante visibilidade. No último evento de Santos, conquistei uma bolsa para o balé do conhecimento na Argentina. São três meses de estudo. Ainda não tenho data para ir, possivelmente irei no ano que vem.” 

 

Além de dançar, Moura pretende estudar artes cênicas. “Por enquanto estou só dançando, mas quero estudar sim. Minha família sempre me apoiou, mas a sociedade ainda tem muito preconceito com relação aos homens que dançam balé.” O balé clássico entrou na vida de Vinícius Nunes, 15 anos, por meio do projeto da Casa da Cultura, onde ele fazia dança e circo. Atualmente ele frequenta uma academia de dança. Ele sonha em ser chamado para trabalhar em uma companhia de dança. Melhor ainda se for fora do País.”

 

No ano passado, Nunes foi classificado como primeiro solista júnior regional no festival de Santos. “Com isso recebi o prêmio para estudar por três meses na Argentina. Luiz Moura vai estudar na modalidade contemporânea e eu no balé clássico.” 

 

Ele admite que sofre preconceito por dançar. “Muita gente não entende. A sociedade tem preconceito com os homens que dançam.” 

 

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