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Entre sujinhos e limpinhos

Henrique Matthiesen
| Tempo de leitura: 2 min

A história da política brasileira tem como farsa alguns personagens de triste lembrança e irresponsáveis atitudes. No ano de 1960, o então candidato da UDN Jânio Quadros empolgou o país com o discurso do limpinho contra o sujinho, representado pelo marechal Henrique Lott, candidato de JK.

O slogan de Jânio Quadros era: ?Varre, varre, varre, varre, vassourinha! Varre, varre a bandalheira! Que o povo já tá cansado. De sofrer dessa maneira! Jânio Quadros é a esperança desse povo abandonado! Jânio Quadros é a certeza de um Brasil moralizado! Meu irmão! Vassoura, conterrâneo! Vamos vencer com Jânio!? Janio Quadros ganhou as eleições e sete meses depois renunciou, jogando o Brasil em uma de suas maiores crises que teve como consequência um golpe de Estado que rompeu com o Estado Democrático de Direito, rasgando a Constituição e levando o Brasil a 20 anos de ditadura, quando o arbítrio se transformou em marca de nossa ditadura que torturou, mutilou e assassinou brasileiros.

Nenhuma ação do breve governo de Jânio Quadros foi no sentido da moralização republicana, e seu governo foi sim uma farsa pela qual o Brasil pagou caro. Outro paladino do limpinho foi a construção da campanha e candidatura de Fernando Collor, que teve direito a um Globo Repórter como o caçador de marajás no tempo em que era governador de Alagoas. Collor ganhou as eleições e foi apeado pelas portas do fundo da história, caçado por corrupção.

Outro paladino dos limpinhos e da grande mídia foi o senador Demóstenes Torres, de Goiás, que fazia discursos demolidores sobre higienização e moralidade, da tribuna do Senado. Foi caçado por corrupção em relações promíscuas com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Dentre esses exemplos há uma clara negação da política e das instituições, além de um perfil excessivamente arrogante e personalista.

A questão é que discursos assim levam à radicalização quase fascista do debate político. Ser ético, agir de forma correta não é virtude, é sim obrigação de qualquer cidadão de bem do Brasil ou do mundo. Os que se sustentam apenas neste discurso, normalmente são lobos travestidos de ovelhas imaculadas. A verbalização de que só eu presto ou sou a única laranja boa em meio as pobres nos remete às experiências de rupturas institucionais, de ditaduras ou de crises profundas.

Evidente que devemos ter instituições sem máculas e limpas, isso é um dever de todos. Não existe limpinhos ou sujinhos, mas existe sim um aperfeiçoamento da democracia e dos controles sociais e institucionais. O pai da corrupção é a impunidade, e quem julga neste caso é o Poder Judiciário.

O autor é colaborador de Opinião

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