Política

Medicina: oferta de bolsas será vital

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

Em rápida passagem por Bauru no início da tarde de ontem, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, foi recebido pelo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e por praticamente todo o primeiro escalão da administração municipal para assinar o termo de compromisso de implantação do curso de medicina privado na cidade.

 

No início do mês, Bauru foi um dos 39 municípios do País selecionado para ter um curso particular de medicina, dentro do programa ‘Mais Médicos’, que prevê a implantação de novos cursos visando o aumento da quantidade de profissionais – a meta do Ministério da Saúde é dobrar o número de médicos no Brasil até 2026, chegando a pouco mais de 600 mil, com um média de 2,7 médicos por mil habitantes. Atualmente, a média é de 1,8 por mil.

 

A escolha da instituição que abrigará o curso ainda vai ser feita, através de edital. Uma audiência pública foi realizada há duas semanas, em Brasília, pontuando os critérios que constarão no edital, que só deve ser lançado nas próximas semanas, segundo Chioro. Em Bauru, seis instituições manifestaram interesse em ter o curso: FIB (a única bauruense), Unip, Anhanguera, Uniesp, Unimar e Faculdade do Litoral Sul Paulista – as duas últimas sem atuação na cidade atualmente.

 

Entre os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde, em conjunto com o Ministério da Educação (MEC), destaca-se a oferta de bolsas de estudo. “Eu sou professor há 26 anos, e até hoje não tive um único aluno negro. A intenção é que os cursos, mesmo em instituições privadas, possam dar condições a pessoas de todas as origens e classes sociais. E medicina é um curso de tempo integral, onde raramente um aluno pode trabalhar, então é importante que as instituições ofereçam esse tipo de benefício”, afirmou Chioro. Entre os tipos de bola, estão o ProUni e o FIES (Financiamento Estudantil), além das cotas, que segundo Chioro poderão ser adotadas também.

 

O ministro lembrou ainda outros critérios: 30% do internato na rede pública de saúde, compromisso da universidade em formar docentes para a área de saúde, compromisso de abertura de vagas de residência médica na cidade, contrapartida em infraestrutura na rede municipal de saúde (que será usada pelos alunos durante o curso), infraestrutura em laboratórios didáticos e oferta de residência médica em áreas prioritárias, como clínica geral, pediatria, ginecologia-obstetrícia e psiquiatria. “Um dos compromissos é formar médicos na próprias cidades, e um fator que pesa muito na permanência do médico após a formação é a cidade onde ele estudou e principalmente onde fez a residência médica”, frisa. “Não é algo de curto prazo, até porque a formação do profissional leva seis anos e mais até quatro de residência”, pondera.

 

A primeira turma de Medicina em Bauru pode ter a primeira aula em março, porém, os prazos para tal são apertados. “Se houver conclusão do processo até o fim do ano e vestibular entre dezembro e janeiro, podemos ter a aula inaugural em março. Caso não haja tempo, a primeira turma pode começar em agosto”, revela Chioro, que já avisou o prefeito Rodrigo Agostinho a intenção de participar da aula inaugural do curso.

 

“O número de leitos e de unidades de saúde da família serão analisados para saber quantas vagas serão ofertadas no curso”, destaca. “A formação deve ser mais humanística, voltadas para o Sistema Único de Saúde”, lembra.

 

 

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