Quem assistiu o último debate dos presidenciáveis pela Rede Globo deve ter percebido que, mais uma vez, nenhum dos candidatos e nenhuma das perguntas formuladas pelos produtores do programa tratou de dois temas: esporte e cultura. Em função disso, qualquer um que se eleja vai tratar estes dois itens durante o seu governo, da mesma forma que eles vêm sendo tratados pelos atuais governantes.
Considero que a formação de cidadania está fincada no tripé educação, cultura e esportes. A disseminação da prática de esportes em nossa juventude concorrerá para que tenhamos no futuro adultos com melhores índices de saúde, o que diminuirá os gastos governamentais com este item. O incentivo do fazer cultural desde cedo fará a diferença e nos proporcionará adultos com mais conhecimentos e melhor formação cultural. Com isso, teremos uma sociedade mais lúcida, com menores possibilidades de ser enganada pelos políticos carreiristas e oportunistas.
Somando-se estes dois itens a uma educação de qualidade, com escolas bem equipadas e professores bem remunerados, que sejam obrigados a se reciclar anualmente, para poder passar mais e melhores conhecimentos aos seus alunos, teremos o principal tripé de formação de uma cidadania. Uma cidadania que a nossa sociedade está longe de possuir em função da degradação do ensino público e da falta de incentivo para nossa juventude no trato com a questão dos esportes e a questão da cultura.
Não havendo qualquer proposta em todos os debates realizados pelos presidenciáveis, somos obrigados a crer que, em qualquer dos governos que um deles exerça, esses itens serão mais uma vez marginalizados. Fica muito claro que não interessa à classe política brasileira que a nossa sociedade obtenha conhecimentos sobre tudo que acontece nesse País. Os nossos políticos querem mesmo a continuidade de um povo capacho, que se ilude com as mais variadas bolsas doadas pelos governantes, quando poderiam exercer profissões dignas e ganhar muito mais. Manter o povo afastado, cego e ignorante com relação aos principais problemas nacionais é o que esses políticos corruptos e oportunistas desejam para se perpetuar em seus cargos.
Como Hermann Hesse colocou em seu romance "Demian": "Não creio ser um homem que saiba. Tenho sido sempre um homem que busca, mas já agora não busco mais nas estrelas e nos livros. Começo a ouvir os ensinamentos que meu sangue murmura em mim".
O autor é jornalista, colaborador de Opinião