Articulistas

A inflação ainda preocupa

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

A inflação oficial, medida pelo IPCA do IBGE, divulgada ontem, fez com o índice acumulasse em 12 meses 6,75%, acima do patamar máximo da meta fixada pelo governo que é de 6,5%. É o maior patamar dos últimos 3 anos. Novamente os alimentos, principalmente carne e pães, puxaram a inflação para cima em setembro, cujo índice ficou em 0,57%. A inflação dos alimentos fechou em 0,78% no mês passado.

Neste ano, portanto em 9 meses, a inflação atinge 4,61%. Teremos ainda 4 meses pela frente, e tudo indica que, no fechamento do ano, teremos inflação em um patamar preocupante. Se analisarmos as principais metas macroeconômicas, fica evidente que o governo Federal está uma sinuca de bico. O crescimento econômico está baixo, inclusive, com o Fundo Monetário Internacional reduzindo suas expectativas em relação ao Brasil, projetando crescimento de 0,3% para este ano e, com inflação no limite aceitável, as manobras ficam mais difíceis.

Analisemos as opções. O governo federal poderia utilizar-se da política monetária. Com inflação em alta as decisões poderiam ser no sentido de elevar os juros. Ou ainda diminuir o dinheiro em circulação, enfim, reduzir o apetite do consumidor, forçando os preços para baixo. Mas como fazer isso em ambiente de baixo crescimento?

Apertar o crédito é diminuir ainda mais a possibilidade de vendas, portanto, vai ao sentido contrário a necessidade de garantir que a economia respire, ou seja, que cresça o mínimo para não afetar ainda mais o desempenho econômico. Também tem o fator político: juros em alta em ambiente de eleições é decisão impopular, portanto, não há o que esperar por esta vertente.

Outra opção: política fiscal. Neste contexto seria utilizar o controle dos gastos públicos, ser mais rigoroso com os tributos, enfim, uma política fiscal austera permitiria criar condições para queda dos preços. De novo problemas para utilizar esta política. Baixo crescimento indica renúncia fiscal, queda nos tributos, isso aumenta a demanda e não segura inflação. A saída de outros países tem sido o setor externo.

Combinam importação em boas condições, com aumento das exportações, principalmente com pautas de produtos com maior valor agregado. Isso garante crescimento e ainda induz os preços internos para baixo. Mas não nos preparamos para isso e, qualquer ação agora, o reflexo será sentido somente no longo prazo. Por sinal, dado o nervosismo do mercado, a cotação do dólar não ajudará a combater a inflação.

O que resta? Torcer pela melhoria climática, acalmar os agentes econômicos e sinalizar que, mesmo com o ano perdido, é possível recolocar a inflação em níveis aceitáveis a partir de 2015. Em resumo: se nada será feito, ao menos o governo Federal deve indicar que a condução da economia será diferente, ser assertivo e que o modelo econômico atual sofrerá avanços. É apostar na confiança no longo prazo, mesmo com números ruins.


Às famílias resta somente um caminho: substituir produtos com preços em alta e pesquisar muito antes de comprar. Às empresas continuar fazendo a lição de casa, equacionando produtividade, reduzindo custos e fixando novas metas compatíveis com o atual status da economia. Lamentavelmente, a economia brasileira e em particular a inflação atingiram este quadro preocupante.

O autor é economista e articulista do JC

Comentários

Comentários