Política

Qualidade da pintura de solo em xeque

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Pintadas há pouco mais de um mês, as faixas de pedestres no cruzamento da rua 13 de Maio com a rua Machado de Assis, nos Altos da Cidade, parecem estar lá há cerca de um ano. Nos pontos que concentram o tráfego de veículo, restou pouco da tinta aplicada pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).


A pouca durabilidade do material chamou a atenção do vereador Raul Gonçalves Paula (PV), que foi procurado por moradores do entorno e vai solicitar informações sobre a especificação da tinta comprada e da utilizada pelo órgão municipal. Segundo ele, situações semelhantes estão espalhadas por toda a cidade.


“Agora, já faz uns 30 dias que eles fizeram as faixas lá naquele ponto. O problema é que a pintura durou só três dias. Uma parte dela já está completamente apagada; nem existe mais”, pontua o parlamentar.


O JC foi ao local e o porteiro de um edifício próximo, que preferiu não se identificar, atestou a versão de Raul. Como trabalha dia sim dia não, ele relata que, em um dia de sua escala, a tinta já havia sido aplicada. No dia seguinte, folgou e, no outro, as  faixas de pedestre não estavam mais lá.


“É um absurdo e um desperdício de dinheiro público. Quero saber qual a especificação da tinta comprada e qual é a recebida. A Emdurb compra o material por meio de uma ata de registro de preço no valor de R$ 650 mil. Além disso, obtive, junto a funcionários, a informação de que eles diluem uma quantidade de água além da permitida, o que, é claro, prejudica a qualidade do trabalho”, pontua.


O serviço de sinalização de solo, vale lembrar, é prestado pelo órgão municipal à prefeitura, que paga R$ 26,00 por cada metro quadrado de pintura.


Nico alega ‘dificuldades’ com a qualidade


Presidente da Emdurb, Nico Mondelli nega que haja a mistura de água à tinta utilizada para a pintura de faixas de pedestres. “A tinta já é à base d’água. Compramos em galões de 18 litros e aplicamos diretamente no solo”, diz.


Ele reconhece a existência de problemas com a qualidade da sinalização de solo, tanto é que a tinta que não durou mais que um mês deveria ter “vida útil” de nove meses a um ano.


A Emdurb faz os pedidos de aquisição de tinta conforme a necessidade de seu estoque. “A cada pedido que a gente faz, os lotes vêm acompanhados de um laudo que atesta a especificidade da tinta, mas a qualidade, de fato, varia muito. Em alguns deles, a gente percebe problemas. Em outros, não. A durabilidade varia também de acordo com o tipo de asfalto, se é mais liso ou não. Outro problema é quando chove. Como a tinta é a base d’água, uma parte dela acaba sendo perdida mesmo”, relata.

Nico diz ainda que, em 2011 e 2012, a Emdurb ingressou com ações judiciais reivindicando o ressarcimento do dinheiro pago em tintas entregues com qualidade inferior à exigida pois certificadores independentes atestaram o problema. “Nesse contrato, é a primeira vez que recebemos reclamações contundentes”.


A principal dificuldade, porém, é o formato de compras imposto pela legislação ao poder público, segundo Mondelli. “Nós colocamos no edital todas as exigências possíveis. Sabemos que tem uma marca melhor, mas o preço dessa, às vezes, chega ao dobro de outras que atendem os requisitos”, justifica o presidente da Emdurb.


Alternativas


Na última sessão legislativa, Raul Gonçalves Paula (PV) sugeriu que a Emdurb passe a adotar, para a implantação de faixas de pedestres, tecnologia que consiste na aplicação de adesivos no lugar da pintura. Essas fitas adesivas, segundo o vereador, duram até 3 anos, enquanto a vida útil da pintura com tinta à base d´água persiste por, no máximo, um.


Nico Mondelli observa que esse modelo custa até 3 vezes mais, mas afirma que o órgão municipal cogita adotá-lo nas grandes avenidas da cidade, onde há intenso fluxo de veículos.

 

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