Foi suspenso temporariamente o corte no fornecimento de água ao Residencial Três Américas, previsto para ontem pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE). Com contas em atraso, o condomínio, localizado no Núcleo Edson Francisco da Silva (Bauru 16), conseguiu reabrir negociação junto à autarquia.
Ontem, a ex-síndica Nilza Jacomini Belíssimo participou de uma reunião com o presidente do DAE, Giasone Candia, e outros dois funcionários da autarquia. Segundo ela, o departamento teria sinalizado com a possibilidade de reparcelar o débito, que alcançou a cifra de R$ 145 mil, e não R$ 55 mil, como Nilza havia informado inicialmente.
“Eles disseram que irão avaliar e darão uma resposta até a semana que vem. Neste período, se comprometeram a não cortar a água”, comenta a ex-síndica, destituída do cargo pelos moradores do Três Américas devido aos problemas financeiros instalados no residencial.
Ela não soube informar o valor máximo das parcelas que o condomínio teria condições de arcar, sem ficar inadimplente novamente. Procurado, o presidente do DAE não atendeu as ligações da reportagem, tampouco as da assessoria de imprensa da autarquia, também acionada pelo Jornal da Cidade.
Embora o Três Américas já tenha nomeado um novo síndico, ele, segundo Nilza, não participou da reunião. Conforme a ex-síndica informou em reportagem publicada na edição de ontem do JC, no residencial vivem 448 famílias, que deveriam pagar uma taxa condominial de R$ 85,00. De acordo com ela, no entanto, o índice de inadimplência chegaria a 70%.
Discussão
Os moradores, no entanto, afirmam que este percentual corresponde à taxa de moradores que honram os seus débitos e que Nilza não estaria utilizando os recursos para custear as contas do condomínio.
Ontem, a reportagem do JC esteve no local e se deparou com muita discussão em torno do impasse. “Não recebi o abaixo-assinado requerendo a minha destituição e também não foi registrada a mudança em ata”, disse Nilza. Os condôminos já teriam nomeado um novo síndico, porém, o trâmite ainda não teria sido concluído.
Antiga subsíndica do Três Américas, Renata Costa alega ter feito um levantamento informal com base no sistema de emissão de boletos do E-Cobrança da Caixa Econômica Federal. “Lá, mostra quantos títulos foram pagos durante o mês, quantos estão em aberto e quantos foram dados baixa”, explica.
Segundo os cálculos de Renata, nos últimos três meses, 70% dos moradores do condomínio estariam adimplentes. Destes, estão sendo considerados os que voltaram a pagar o condomínio e negociaram as dívidas atrasadas. “Os 30% restantes englobam quem nunca pagou (desde março de 2013) até os que estão em débito há mais de três meses”, explica.
Acusações
A ex-subsíndica Renata Costa acrescenta que a inadimplência no residencial se intensificou quando houve a interrupção dos serviços de uma empresa que emitia os boletos aos moradores. “Depois que a empresa saiu, foi formada a administração interna do condomínio, com conta própria. A Nilza, já como síndica, fez a contratação dos funcionários (porteiro, zelador, entre outros) e era ela quem repassava o dinheiro para quitar as contas”, afirmou.
Em fevereiro desse ano, uma outra empresa teria sido contratada. “Fizeram acordo com a Nilza para tentar negociar com os moradores a retomada do pagamento da taxa do condomínio. Mas, em agosto, foram repassados a essa empresa apenas R$ 8 mil dos moradores. Em setembro, R$ 3 mil. A maioria fala que pagou e eles querem saber onde está esse dinheiro”, critica Renata. Em defesa, Nilza disse que irá esclarecer qualquer acusação que pese contra seu nome. “Vou convocar uma assembleia com os moradores no dia 30 deste mês e prestar conta de tudo”, afirma.