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No Dia Nacional de Prevenção da Obesidade e Dia Internacional de Combate à Obesidade, comemorados hoje, um alerta aos interessados em se submeter à cirurgia de redução de estômago pelo Sistema Único de Saúde (SUS): as unidades básicas de saúde passaram a restringir o acesso ao procedimento, em obediência a uma portaria do Ministério da Saúde.
Embora o documento tenha sido publicado em março do ano passado, o seu efetivo cumprimento começou a se dar somente neste ano, conforme informou o Departamento de Planejamento, Avaliação e Controle da Secretaria Municipal de Saúde. Uma lista de pacientes já encaminhados para cirurgia, inclusive, teria sido devolvida pelo Departamento Regional de Saúde (DRS-6) para que o tratamento continuasse sendo feito pelos métodos convencionais.
Segundo a portaria ministerial nº 424, de 19 de março de 2013, a cirurgia bariátrica somente é indicada para obesos com Índice de Massa Corporal (IMC) a partir de 50; pacientes com IMC entre 40 e 50, com ou sem doenças associadas (como diabetes e hipertensão) e sem sucesso no tratamento clínico realizado por, no mínimo, dois anos; ou, ainda, indivíduos com IMC entre 35 e 40, que tenham comorbidades e insucesso no tratamento.
Tomando como exemplo um homem de 1,75 metro, ele não tem direito à cirurgia pelo SUS se pesar, por exemplo, 105 quilos, porque terá IMC de 34,3. Mas se tiver 108 quilos, chega ao IMC de 35,3; com 130 quilos, ao IMC de 42,4; e, com 155 quilos, IMC de 50,6.
Lista devolvida
Chefe de seção de supervisão de Saúde do Adulto e do Idoso do Departamento de Planejamento, Avaliação e Controle da Secretaria Municipal de Saúde, a farmacêutica Jussemi Daltin explica que, até o início deste ano, sempre que o paciente procurava as unidades de saúde e mencionava o desejo de se submeter à cirurgia, o caso era encaminhado ao Departamento Regional de Saúde (DRS-6). Após análise, o indivíduo poderia ser submetido ao procedimento no Hospital Amaral Carvalho, de Jaú, referência de Bauru para este tipo de cirurgia.
Mas Jussemi revela que, em março deste ano, em obediência à portaria do Ministério da Saúde, o DRS-6 devolveu uma lista de pacientes obesos que já estavam na fila de espera para cirurgia e que não se enquadravam nos critérios. “Eles, então, voltaram a receber o atendimento nas unidades básicas”, frisa.
A chefe de seção, no entanto, disse não saber informar quantos pacientes constavam desta lista ou mesmo quantos obesos são atendidos, hoje, na rede municipal, já que o sistema da secretaria ainda não foi informatizado. A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde não confirmou a devolução da lista, mas reforça que vem seguindo rigorosamente as diretrizes impostas.
Fila de espera para a realização do procedimento chega a ultrapassar 2 anos
Diretor executivo do Hospital Estadual, o cirurgião gastroenterologista e bariátrico Luiz Eduardo Naresse é um dos médicos que realizam cirurgias de redução de estômago, pelo SUS, no Hospital das Clínicas (HC), em Botucatu. Segundo ele, na unidade, a fila de espera pelo procedimento é de mais de dois anos.
“Como trata-se de um hospital-escola, realizamos oito cirurgias por mês (menos de 100 por ano, dentro da demanda de toda a região). Não comportamos mais do que isso”, pontua. Segundo Naresse, o perfil prevalente de pacientes é formado por mulheres entre 35 e 50 anos, embora até jovens de 20 anos já tenham sido submetidos à cirurgia na unidade. “Se houver indicação, podemos operar até 75 anos”, completa.
Ao contrário do que ocorre na rede privada, não há opção por fazer a cirurgia de redução de estômago por videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva realizada com o auxílio de uma câmera. Em uma hospital particular, o custo do procedimento é estimado em cerca de R$ 40 mil.
Mas, pelo SUS, a cirurgia é aberta e resulta em uma incisão de aproximadamente 18 centímetros. “Sempre optamos pela cirurgia mista, que associa dois tipos de técnicas (leia mais no quadro abaixo). Ela gera uma perda de peso mais lenta, mas provoca menos efeitos colaterais”, explica o cirurgião.
Naresse conta que o HC de Botucatu realiza cirurgias bariátricas desde 2005. Em todos os casos, o paciente é avaliado por uma equipe multiprofissional composta por médicos, psicólogos e nutricionistas, que o acompanha em todas as etapas anteriores à operação. Mesmo assim, em cerca de 10% dos casos atendidos pelo hospital, o paciente volta a engordar após três anos da cirurgia.
Cirurgias têm grande salto em 3 anos
O número de cirurgias de redução de estômago realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na região de Bauru duplicou nos três últimos anos. Em um dos hospitais privados da cidade, o número quase quintuplicou no mesmo período.
O aumento pode ser explicado pelo número crescente de pessoas acima do peso ideal, sedentárias e com hábitos alimentares pouco saudáveis, que encontram nas cirurgias resultados rápidos e bastante eficazes.
Segundo estudo publicado recentemente pela revista científica Lancet, 52,5% dos homens brasileiros estão acima do peso ou são obesos – ou seja, possuem IMC acima de 25. Entre as mulheres, esse índice é de 58,4%.
Projetando os resultados para Bauru, estima-se que mais de 87 mil homens estejam fora de forma, assim como outras 103,5 mil mulheres, totalizando uma população de 191 mil habitantes. O número, expressivo, ajuda a explicar a elevada busca pelas cirurgias bariátricas.
Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde, 110 procedimentos via SUS foram realizados em 2013, ante 55 em 2010.
Os números contabilizam as operações registradas no Hospital das Clínicas, em Botucatu, e no Hospital Amaral Carvalho, em Jaú, que é referência para Bauru.
Já no Hospital da Unimed, privado, o volume de cirurgias saltou de 67, em 2010, para 305, em 2013. Somente na maior clínica particular de Bauru, localizada no Jardim Estoril 4, são cerca de 420 procedimentos anuais.
Banalização
Segundo Jussemi Daltin, havia um processo de banalização em curso em relação às cirurgias bariátricas, que foi freado com o maior rigor estabelecido pela portaria. “As pessoas precisam se conscientizar de que é preciso, antes, optar pelos métodos convencionais, que demandam mudança de hábitos de vida e, portanto, maior disciplina”, frisa.
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Quioshi Goto |
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Daltin: Estado devolveu lista de pacientes fora dos critérios |

