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Com suspeita de ebola, paciente passa o dia assistindo à televisão no hospital

Por Bruna Fantti | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

O paciente Souleymane Bah, 47 anos, suspeito de estar com ebola, passa o tempo assistindo à televisão e andando pelo quarto em que está internado no Instituto Nacional de Infectologia (Ini) Evandro Chagas, zona norte do Rio.

Conversando em inglês e em francês com a equipe médica que o atende, o guineense não demonstrou surpresa com o primeiro resultado negativo para o vírus, divulgado na manhã deste sábado (11). Ele aguarda os resultados de um novo teste, que terá os resultados divulgados na segunda-feira (13).

As informações da rotina do paciente e seu estado de saúde foram dadas em coletiva de imprensa pelos médicos infectologistas que coordenam seu tratamento, poucas horas após a divulgação do resultado. Mais cedo, o ministro Arthur Chioro (Saúde) afirmou que o Brasil "continua sendo um país com poucas chances de transmissão" do ebola.

"Não diria que será inevitável [a transmissão da doença no Brasil]. (...) É possível que apareçam outros casos suspeitos, mas continuamos trabalhando [com a perspectiva] de que não teremos volume de casos de forma epidêmica, explosiva", disse Chioro.

"Ele [Souleymane] chegou menos falante, até por estar com pessoas desconhecidas em um país estrangeiro, isso deve causar um estranhamento. Mas com o tempo foi falando mais e sempre teve a convicção de que não estava com Ebola. Então, não demonstrou surpresa quando informamos sobre o primeiro resultado", disse o médico e vice-diretor de serviços clínicos do instituto, José Cerbino.

Ainda segundo Cerbino, o paciente está sem febre desde que chegou e se alimenta bem. Diariamente, seus lençóis são trocados e jogados fora, assim como os pratos, talheres e roupas que usa. Até o momento, cerca de 30 pessoas tiveram contato com o paciente no hospital, em equipes de quatro a cinco pessoas, que se revezam diariamente.

Os médicos não souberam informar se ele já viu alguma matéria na televisão a respeito de sua internação.

As equipes que cuidam de Bah, normalmente formadas por dois médicos, duas enfermeiras e um auxiliar de limpeza, usam os chamados EPIs (Equipamentos de Proteção Individuais) que os protegem de qualquer contaminação.

"Não houve quebra de barreira, ou seja, ninguém que entrou no quarto teve contato direto com o paciente sem o equipamento de proteção. Todos foram muito bem treinados. Mesmo com o primeiro exame negativo, seguimos a segurança", afirmou a infectologista Marília Santini, também responsável pelos cuidados de Bah.

A alta médica, no entanto, só será efetivada após o resultado do segundo exame, que deverá ficar pronto até a próxima segunda-feira (13), à noite. Isso porque o protocolo internacional requer que uma segunda amostra de sangue seja coletada 48 horas após a primeira retirada.

"Todo exame viral é feito pareado, ou seja, são duas análises em um intervalo de tempo, no caso, 48 horas. Isso porque a quantidade de vírus no sangue aumenta conforme o tempo passa. No caso desse paciente, a própria falta de febre evidencia que ele não está com vírus algum", explicou Marília.

O segundo exame de sangue também será feito em um laboratório no Pará. "Desde que o ebola foi descrito como um problema sanitário internacional seguimos as medidas protocolares indicadas. Assim, pensando em uma epidemia, temos que canalizar os esforços.

Então, escolhemos esse laboratório para fazer todos os exames. O mesmo ocorreu nos Estados Unidos, por exemplo, quando um paciente estava internado em um Estado e o exame foi realizado em outro", afirmou Rodrigo Stabeli, vice-presidente da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), onde o Ini Evandro Chagas está localizado.

Ainda segundo Stabeli, em caso de uma epidemia pelo ebola no Brasil, os pacientes que estão na Fiocruz seriam transferidos para outras unidades de saúde, e os 32 leitos que o hospital possui seriam disponibilizados para pacientes com o vírus.

Assim que receber alta, Bah poderá retornar para o Paraná em um avião de carreira, e aguardar o resultado do seu pedido de refúgio.

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