Cultura

Alma sem mordaça

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 2 min

Fernando Ordani se define em seu blog como “latino-americano sem um rumo certo, sempre no improviso e com nenhum plano”. “Poeta passional”, projeta em seus escritos a complexidade do ser humano e confessa a sina de jamais compreendê-lo. De abril até agora, são 361 publicações no blog, em um trabalho diário de atualização municiado pela produção poética intensa, que dá vazão à sua “alma sem mordaça”. “Diariamente, tenho publicado uma média de dois, três textos. Conforme fui escrevendo, acabei lapidando e me encontrei no texto lírico”, define.

Mas nem sempre foi assim. Durante anos, o poeta guardou seu trabalho e o manteve escondido dos olhos alheios. “A escrita apareceu para mim após os meus 18 anos. Escrevia sempre na escuridão, não publicava nada, deixava tudo arquivado”, comenta Ordani. Após concluir seu curso universitário de Gestão de Recursos Humanos, Ordani intensificou sua produção, atividade paralela ao emprego na Prefeitura de Bauru. Mas ainda assim, eram “poemas secretos”.

Ordani explica que o impulso para divulgar seus poemas veio do incentivo de uma amiga no início do ano. “Fiquei um pouco reticente no começo. Pensava que o que escrevia fazia sentido para mim, mas será que iria fazer sentido para os demais? Mas de uma forma geral, todo escritor, compositor ou músico compõe o que faz sentido para si e as pessoas vão se identificar com aquilo ou não”, avalia. “Hoje me sinto mais confiante, justamente por ser autêntico. Não sigo parâmetros e nem paradigmas. Minha escrita é livre, as ideias são diversas”, explica. “Brinco que psicografo. Vem uma palavra à minha mente e eu construo um texto. Vem naturalmente, flui”, destaca.

Inspiração etérea

Do abstrato da inspiração para a materialização em forma de texto, Ordani aponta o dia a dia e a natureza com fontes de poesia. “A inspiração vem da observação de coisas cotidianas e coisas sublimes também, que a gente deixa de perceber durante os afazeres. Às vezes, uma árvore, a água fluindo... Vem do etéreo”, sublinha. “Eu tenho um ditado comigo: a mente há de dissuadir tudo aquilo que simplesmente o seu corpo há de lhe compelir. Ou seja, você quer falar sobre certa coisa, mas sua mente vai repelir aquela ideia se ela não estiver pronta para receber aquilo. No momento certo vai ocorrer e as palavras certas virão de forma concomitante.” O trabalho de Ordani pode ser conferido no https://fernandoordani.blogspot.com.br/

Livro é projeto

Fernando Ordani planeja colocar seus poemas no papel, um sonho acalentado já há tempos. “Era muito reticente quanto às coisas que escrevia, não confiava que tivesse consistência suficiente. Mas deixei de ser pedra para me tornar vidraça e percebi que pessoas com capacidade analítica teceram comentários excelentes. Então, penso em ter alguns destes poemas eternizados em livro”, confessa. Contatos com Ordani podem ser feitos no (14) 98803-3849 e e-mail luizordani@bauru.sp.gov.br.

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