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Ingovernabilidade Brasil

Henrique Matthiesen
| Tempo de leitura: 2 min

O Brasil que saiu das urnas escancara de forma inconteste a necessidade e a urgência de fazermos a reforma das reformas que é a política.

Algumas constatações acentuaram-se de forma absoluta. O atual sistema político brasileiro se esgotou por completo, e não há possibilidade de continuarmos neste contexto onde a governabilidade se torna impraticável. A elevação de 22 partidos com representatividade no Congresso Nacional para 28 é impraticável e altamente contraproducente ao país.

Desta forma, não é governável e transforma o Congresso Nacional num balcão de negócios promíscuo e litigiosamente divorciado dos princípios republicanos e seja quem for o presidente ficará refém deste contexto perverso.

É preciso romper a lógica corrupta de pequenos partidos grandes negócio.

Não existem no mundo 28 ideologias, nem sistema democrático que se venialize com tantos partidos.

Os partidos hoje não representam mais o pensamento de contingentes de nossa população, e são apenas feudos de coronelismo que se enriquecem no balcão das negociatas e se locupletam com os milionários fundos partidários.

A cláusula de barreiras é fundamental para acabarmos com esse tumor que corrói nossa democracia, assim como o fim das coligações proporcionais da mesma forma precisam acabar, e a redemocratização partidária se faz urgente.

Hoje no Brasil os partidos perderam seu caráter nacional, estão desprovidos de projetos e visões republicanas.

Nosso Presidencialismo de coalizão se decompôs num sistema de cooptação desprovido de critérios que virou uma porteira para corrupção.

Sistema esse que se alastra pelos governos dos Estados em suas relações baratas e de cabresto com as Assembleias Legislativas, como também com os prefeitos e suas analogias despudoradas com as câmaras de vereadores. Nosso carcomido sistema tem enfraquecido a cada eleição o poder Legislativo, a perda contínua sua representatividade, os parlamentares têm demudado o exercício parlamentar em sinônimo de banditismo. Outra caixa preta que a reforma política tem que enfrentar é o financiamento das milionárias campanhas eleitorais.

A eleição hoje de um deputado é pautada somente no poder econômico que ele tem; as ideias, o caráter, e a visão de país são relegados.

Só e possível participar da política de forma protagonista se tiver muito dinheiro ou grandes financiadores que cobram caríssimo para tal.

O Brasil não pode mais conviver com essa chaga.

Reforma política já!

O autor é colaborador de Opinião

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