Quioshi Goto |
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Assim que um caminhão-pipa do DAE estacionou na Emeii Lilian Aparecida Passoni Hadad, os moradores se aproximaram e rodearam o veículo com seus baldes; eles ficaram com metade da água
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O desespero diante da falta d’água fez com que diversos moradores do Leão 13, em Bauru, cercassem um caminhão-pipa do DAE enquanto abastecia a Emeii Lilian Aparecida Passoni Hadad, na mesma região, que quase fechou as portas porque as torneiras estavam secas durante todo o dia de ontem (leia mais na página 12). Por conta disso, o reservatório da escola não foi abastecido por completo.
Claudete Floret, 72 anos, foi a primeira moradora a se aproximar do veículo. Ela divide uma casa simples com o marido, 20 gatos e três cães, na quadra 1 da rua Lairson Bataiola e afirma estar sem água desde a última sexta-feira, ou seja, há uma semana. “Assim que vi o caminhão-pipa, peguei um balde e vim correndo atrás, porque eu tenho muitos animais em casa e preciso manter o ambiente limpo”, desabafa.
O que começou apenas com dona Claudete, ganhou maiores proporções, formando um tumulto em volta do caminhão. Os moradores enchiam os baldes d’água e muitos deles levaram até uma carriola para aliviar o peso durante o trajeto de volta para casa. Luiz Barboza, 60 anos, estava no meio da multidão, mas conseguiu retirar apenas um balde pequeno d’água. “Não recebo água há cinco dias, antes mesmo de começar o rodízio”, conta.
Seu Luiz é casado com dona Clarice, 56 anos, que sofreu um AVC em 2010 e, desde então, precisa de cuidados especiais, principalmente, no que diz respeito à higiene pessoal. Os dois tiveram de comprar um galão de 20 litros do líquido, que custa em torno de R$ 25,00, para garantir a limpeza da casa e das roupas, além das refeições do casal. Os dois moram na quadra 2 da rua Lacy Jabur Damião, no Val de Palmas, próximo ao Leão 13.
Um pouco atrás, na quadra 1 da mesma via, vivem Sebastião, 61 anos, e Julia de Castro, 59 anos. Assim como dona Clarice, seu Sebastião não consegue andar. Ele sofreu um derrame há três meses. Eles não conseguiram pegar sequer um balde d’água. “Estamos sem água há quatro dias e o nosso reservatório aguentou até ontem (anteontem)”, explica dona Julia.
Com receio, o casal também acabou comprando água mineral para estocar.
SOBRECARGA NO DAE
Mais um dia de caos no DAE. Os telefones ficaram ocupados durante toda a tarde de ontem por conta do excesso de reclamações. O JC, inclusive, teve de ir até a sede da autarquia para conversar com a assessoria de imprensa. Na recepção do órgão, bateu aquela sede na equipe. Porém, quando o bebedouro foi acionado, nada saiu. “Nós temos reservatórios lá dentro, mas aqui (na recepção) não temos água, porque recebemos da rua”, revelou uma funcionária.
O JC também recebeu reclamações de falta d’água, principalmente, no Centro, na Vila Dutra, no Jardim América e no Jardim Aeroporto. Questionada sobre o número de pedidos de caminhões-pipa atendidos, mais um reflexo do congestionamento: a assessoria da autarquia disse que não tem como contabilizá-los, porque muitas pessoas são atendidas no trajeto dos locais solicitantes, como aconteceu no Leão 13.
Será que chove?
De acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, uma massa de ar quente e seco permanecerá influenciando as condições do tempo no Estado. Diante disso, as temperaturas permanecerão elevadas e haverá baixa umidade relativa do ar, que ficará entre 20 e 30% amanhã. Ainda nesta sexta-feira, a mínima será de 21 graus e a máxima, de 38.
Nas regiões leste e faixa litorânea de São Paulo, contudo, a nebulosidade aumenta por conta da circulação e, com isso, proporciona uma baixa probabilidade de chuvas fracas e isoladas. Entre a segunda e terça-feira, uma nova frente fria deverá chegar no Estado, causando muita nebulosidade e ocorrências de chuvas. Em Bauru, existe 80% de probabilidade de chover na terça.