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Calor "sobrecarrega" o organismo

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Para agravar ainda mais a crise de abastecimento, Bauru voltou a registrar, ontem, o recorde histórico de calor batido na última terça-feira. Os 39,2 graus às 15h25 castigaram quem precisou sair às ruas ou permanecer em ambientes fechados sem o apoio do ar-condicionado.

 

O desconforto com temperaturas tão elevadas é provocado pela sobrecarga sofrida pelo organismo e que pode resultar em quadros de insolação, desidratação e até desmaios, como o ocorrido na última quarta-feira com a fisioterapeuta Chiara Hungria Cecci Gonçales, 28 anos.

 

Conforme o JC noticiou, ela perdeu os sentidos ao passar mal e o carro, desgovernado, quase caiu do viaduto da Duque de Caxias sobre a avenida Nações Unidas. Na ocasião, a mãe comentou que a filha tinha pressão arterial baixa.

 

“Se a pessoa estiver desidratada, a pressão pode baixar ainda mais e levar ao desmaio”, comenta o secretário municipal de Saúde Fernando Monti. Por conta dos riscos, ele orienta a população a evitar a exposição ao sol principalmente nos horários de pico e redobrar a atenção com crianças e idosos, os mais suscetíveis aos efeitos do calor.

 

“As crianças menores de um ano têm mais facilidade para se desidratar. Já os idosos, mais dificuldade para regular a temperatura corporal, já que as funções orgânicas já não respondem com a mesma eficiência”, pontua.

 

Monti lembra que a temperatura corporal média é de 36,5 graus. Quando o calor externo supera esta marca, o organismo começa a se esforçar para manter a estabilidade térmica. “Na prática, o corpo começa a suar. Só que esta transferência de calor é feita para um ambiente mais quente e, em alguns casos, pode ser que esta função não seja eficaz o suficiente para garantir o bem estar da pessoa”, frisa.

 

‘Queda de energia’

 

Quando exposto diretamente ao sol, o indivíduo pode apresentar um quadro de insolação, quando o organismo perde a capacidade de controlar a temperatura, que fica elevada. Por outro lado, se transpirar em excesso, pode sofrer desidratação, o que pode provocar o aumento dos níveis de sódio na corrente sanguínea, entre outras complicações.

 

O desconforto pode ser tão grande que a descarga de substâncias como adrenalina pode provocar taquicardia e alterações da pressão arterial. Em casos extremos, a pessoa pode até perder os sentidos momentaneamente, como uma “queda de energia” preventiva provocada pelo cérebro para evitar um colapso no organismo. 

 

“O desmaio pode ser provocado por desidratação, mas, na maioria das vezes, o calor gera o que chamamos de lipotimia (em que o indivíduo sofre vertigens e a sensação de que vai desmaiar, mas não chega a perder a consciência)”, completa Monti.

 

Já a baixa umidade relativa do ar pode causar diversos problemas respiratórios que atingem os pulmões e os seios da face (veja, no quadro ao lado, as principais recomendações para evitar mal-estares durante os dias quentes). 

 

Previsão

 

Segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o fim de semana será de tempo seco, baixos níveis de umidade relativa do ar e temperaturas elevadas.

As mínimas chegarão a 23 graus durante a madrugada e as máximas, a 38 graus ao longo do dia. 

Mas, devido a chegada de uma nova frente fria, deve voltar a chover entre o final da tarde de domingo e segunda-feira. Com o aumento da nebulosidade, as temperaturas entre segunda e terça-feira devem oscilar entre 18 e 36 graus.

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