Tribuna do Leitor

Revolta


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Sinto uma revolta interior e, ao mesmo tempo, uma imensa tristeza ao ler reportagens como "Procura-se Diretor para a Fundação", publicada em 13 de outubro de 2014, e "R$ 3,5 mi em salários estão ilegais", de 17 de outubro de 2014. Os médicos são os profissionais da saúde que detêm os maiores salários e, concomitantemente, a menor carga horária de trabalho (ao menos aquela realmente cumprida no exercício da função).

Não consigo ler as citadas reportagens sem imaginar os atendimentos de poucos minutos em que o tão importante exame clínico nem é realizado. Hipóteses diagnosticadas de formas infundadas são, para aumentar ainda mais os gastos com a saúde, medicadas erroneamente, obviamente. Será que é difícil para os nossos governantes (todos comprometidos com a saúde!) imaginar que a resolução de grande parte dos problemas de saúde da população poderia ser resolvido, total ou parcialmente, com mais enfermeiros, mais fisioterapeutas, mais fonoaudiólogos, mais nutricionistas, mais terapeutas ocupacionais, mais psicólogos e mais educadores físicos?

A medicina (corporativista), por ser apenas uma das profissões da saúde, tão importante como qualquer outra, também deveria lutar pela saúde. Aliás, se lutasse pela saúde como luta pelo próprio salário, a população é que sairia rica... de saúde.

Quantos profissionais da saúde poderiam ser pagos apenas com os milhões "ilegais" (ou não) pagos aos médicos?! A população apenas procura a saúde quando a perde, quando poderia procurá-la para manter-se saudável.

Carlos A. R. Giúdice

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