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Em 19 de outubro de 1910, um dos pioneiros na ocupação de Bauru era morto a tiros, perto do rio que leva o nome da cidade. Azarias Ferreira Leite foi peça-chave nos primeiros anos de vida política do município, que teve sua sede transferida de Espírito Santo da Fortaleza para Bauru em 1896. Era assim que a política era resolvida muitas vezes:
“na bala”.
Azarias Leite presidiu a Câmara Municipal de Bauru entre 1909 e 1910, época em que o município lutava para ter sua própria Comarca – antes, dependia da Comarca de Agudos. Azarias Leite, que hoje dá nome a uma das principais ruas do Centro, era um dos principais defensores da instalação da Comarca bauruense, tendo também bom trânsito junto a autoridades e personalidades de São Paulo, o que gerava desconforto na região.
O historiador e memorialista Luciano Dias Pires ressalta que a violência na vida política era comum naquela época em todo o Brasil, que vivia a chamada ‘República Velha’, que compreende o período entre a Proclamação da República (1889) e a chegada de Getúlio Vargas ao poder (1930). “Isso acontecia em todo o Brasil, e em Bauru não era diferente. O Azarias Leite é considerado um símbolo do pioneirismo, pelas lutas que travou para trazer desenvolvimento a Bauru. Primeiro para ser Distrito de Paz de Fortaleza, depois para mudar a sede para cá. E isso incomodava muita gente”, afirma Pires, que é editor do Bauru Ilustrado, suplemento mensal do Jornal da Cidade.
Em 1910, no dia 19 de outubro, Azarias Leite, quando estava próximo ao Rio Bauru, foi morto por Joaquim Honorato, que armou uma tocaia para assassinar o então vereador. Assim, Azarias morreu sem ver a concretização da Comarca de Bauru, porém, seu assassinato ajudou a acelerar a implantação, em dezembro daquele ano, com efetivo funcionamento a partir de março de 1911, com a nomeação do primeiro juiz de Bauru, Rodrigo Romeiro. “A morte do Azarias Leite acabou contribuindo para acelerar o processo de instalação da Comarca. Se não fosse isso, talvez demoraria um tempo bem maior, talvez até anos”, destaca Luciano Dias Pires.
Deu no pé
Álvaro de Sá, prefeito de Bauru entre 1909 e 1910, terminou o mandato de forma, no mínimo, inusitada. Escolhido em janeiro de 1909 pela Câmara Municipal para ser o chefe do Executivo, Álvaro esteve à frente da cidade em um de seus períodos mais conturbados, até pela política nacional, que, em março de 1910, teria a eleição de um novo presidente, com ferrenha disputa entre Rui Barbosa e Hermes da Fonseca, este último saindo vencedor.
No dia da eleição de Hermes, Bauru também viveu clima tenso, com disputa entre os dois grupos, e, por pouco, Azarias Leite já não foi morto em março de 1910 – acabou sendo executado em outubro. Álvaro de Sá foi ferido com um tiro no pé e teve que fugir de trem de Bauru, não retornando mais. Francisco Gomes dos Santos foi eleito pelo Legislativo para dar continuidade ao mandato. “Essa história ficou conhecida como o prefeito que tomou um tiro no pé e deu no pé. Ele teve que fugir e não foi mais visto em Bauru”, detalha Pires.
Outras mortes
Já no final da República Velha, Bauru teve o prefeito Capitão José Gomes Duarte executado à luz do dia no dia 11 de julho de 1929 em plena rua Batista de Carvalho, onde hoje está o Calçadão, um dos pontos comerciais mais importantes da cidade.
“A morte dele não teve motivação política, pelo que se apurou na época. O Gomes Duarte foi assassinado bem perto da Casa Luzitana”, explica Luciano Dias Pires. O local a que o memorialista se refere é quase no final do atual Calçadão, na esquina com a rua Gustavo Maciel, próximo à Praça Rui Barbosa.
A Batista ainda foi palco de outra morte de figura política. Em 3 de outubro de 1934, integralistas e comunistas (grupos que representavam a extrema direita e a extrema esquerda, respectivamente, na época da Era Vargas) se enfrentaram em pleno Centro da cidade.
O confronto terminou com a morte de Nicola Rosica, membro do Movimento Integralista.
Durante a Era Vargas, jornais locais também sofreram com o ‘empastelamento’, quando as redações eram destruídas por motivação política. “Foi certamente o período de maior repressão política aqui em Bauru. Depois, as coisas se acalmaram”, menciona Pires.
O historiador João Francisco Tidei de Lima, ex-professor da Unesp, cita que estes foram os principais casos de violência relacionada a políticos de Bauru no século passado, culminando com a morte de um prefeito (Gomes Duarte), um vereador (Azarias Leite) e um militante integralista (Nicola Rosica).
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Reprodução/Arquivo de Luciano Dias Pies |
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‘Correio de Bauru’ noticiou morte do prefeito José Gomes Duarte |

