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Arnaldo Ribeiro aponta que Bauru soube aproveitar oportunidades |
Em seis anos, o volume de pessoas ocupadas em Bauru cresceu 51,3%. Esta é a informação trazida pelo Cadastro Central de Empresas (Cempre), publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e EstatÃstica (IBGE). A evolução está acima da média registrada pelo Estado e pelo PaÃs.
De acordo com o estudo, a quantidade de trabalhadores assalariados e de proprietários e sócios de empresas aumentou de 96.477 para 145.969 pessoas entre 2006 e 2012. Os números incluem quase 15 mil empresas, órgãos da administração pública e instituições privadas sem fins lucrativos.
Mas os microempreendedores individuais (MEIs), que já somam cerca de 11 mil registrados em Bauru, foram desconsiderados das estatÃsticas. O crescimento de 51,3% no total de pessoas ocupadas na cidade ficou bem acima da média estadual, que registrou Ãndice de 33,80%. O desempenho brasileiro também foi menor, com aumento de 34,73%.
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Arnaldo Ribeiro, Bauru soube aproveitar o momento econômico favorável da última década e, mesmo diante da crise financeira mundial desencadeada 2008 e que atravessou o ano de 2009, conseguiu obter resultados positivos. Naquele ano, a evolução no montante de pessoas ocupadas foi de 5%. â??A cidade se colocou em campo e fez a lição de casa, soube se manter neste cenárioâ?, pondera.
Justificativas
O aumento das vagas de trabalho na cidade pode ser, em grande parte, explicado pela instalação de novos empreendimentos comerciais nos últimos anos, como um shopping center, algumas lojas de atacarejo e empresas recuperadoras de crédito.
â??Também observamos um grande desenvolvimento de centros comerciais nos bairros. Os estabelecimentos são menores, mas também empregam muita genteâ?, observa o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Alceu Camargo.
No setor de serviços, o economista Reinaldo Cafeo lista, ainda, a expansão verificada nas áreas de educação e saúde. Há de se destacar, também, o ramo da construção civil, que sofreu um grande boom desde 2009, quando o programa federal â??Minha Casa Minha Vidaâ? foi criado.
O percentual positivo de Bauru apontado pelo Cempre também pode ter sido impactado por outro fenômeno, que é a volta ao mercado de trabalho das pessoas com mais de 60 anos, mesmo os aposentados, acrescenta Cafeo, que também é vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib). â??Seja para sustentar a famÃlia ou porque a expectativa de vida está crescendoâ?, explica.
Carteira assinada somente após 6 anos
Atualmente com garantias trabalhistas e facilidade em planejar a vida, Renato Fernandes Pires, 47 anos, é o exemplo clássico do boom de ocupação pelo qual Bauru passou entre os anos de 2006 e 2012.
No primeiro ano do perÃodo analisado, ele perdeu o emprego formal, na época, na ferrovia. Decidiu aventurar-se no comércio. Tocou um bar até 2012, quando voltou a ter carteira assinada.
Renato admite que, até contar com benefÃcios como vale-transporte e vale-alimentação, por exemplo, vivia angustiado sem saber se conseguiria honrar seus compromissos econômicos. Embora a esposa já trabalhasse, juntavam esforços para manter a famÃlia e a educação do filho que, em 2006, tinha 12 anos.
Para ele, sua idade incidiu contra sua recolocação no mercado, que aconteceu em 2012, quando aproveitou a oportunidade de trabalhar em um estacionamento rotativo.
Praticamente simultaneamente, Tatiane Cristina Alves, atualmente com 39 anos, enviava currÃculos. A necessidade de complementar a renda e a impressão de um mercado mais convidativo serviram de estÃmulo.
No mesmo ano, recebeu uma proposta, que foi recusada por conta do horário estabelecido. Mas pouco tempo depois, já em 2013, foi admitida por uma empresa de serviços onde atua como auxiliar de serviços gerais. Na época, já estava fora do mercado há cinco anos.Â
Setor terciário derruba média salarial
Como o setor terciário continua sendo o principal gerador de empregos no municÃpio, a média salarial continua baixa, em Bauru. Enquanto, na cidade, ela foi de 2,8 salários mÃnimos em 2012 (R$ 2.027,00 para os valores atuais), no Estado, o Ãndice chegou a 3,6 salários e, na União, a 3,1, ainda segundo dados do Cempre.
â??A indústria remunera mais. E, como Bauru é menos industrializada, a mão de obra acaba se transferindo para outros segmentos, como o de comércio e serviços. Em resumo, melhoramos o nÃvel de emprego, mas não a rendaâ?, pondera o economista Reinaldo Cafeo.
O grande motor de crescimento da cidade tem sido a área de serviços em geral, que inclui o setor de comércio, reitera o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Bauru (Sincomércio), Walace Sampaio. â??Esse grupo tem puxado o desenvolvimento de Bauru há muitos anos, especialmente neste perÃodoâ?, acrescenta.
Em 2012, o setor de comércio empregava, sozinho, quase 36,6 mil pessoas, que recebiam vencimentos médios de 2,2 salários mÃnimos. O volume de pessoal ocupado era três vezes maior do que o dos segmentos de energia, financeiro e da administração pública somados. Estes, no entanto, ofereciam rendimentos médios de 4,9 a 9,7 salários mÃnimos.
â??O lado bom é que a cidade gerou emprego, mesmo que com remuneração menor. O lado ruim é que, atualmente, o momento não é mais da geração de tantos empregosâ?, finaliza Reinaldo Cafeo.
Dispensas
Se no passado, diante de qualquer crise, as empresas demitiam, agora experimentam cortes em outras áreas antes de diminuir o quadro de funcionários, avalia o economista Reinaldo Cafeo. De acordo com ele, a postura mudou também por conta da escassez da mão de obra.
A nova conduta pode ter influenciado, por exemplo, na taxa de desemprego de agosto passado, considerada a menor para o mês, segundo o IBGE. De acordo com o que já foi veiculado, dados mostraram estabilidade na taxa, em nÃveis históricos baixos.
Eles também podem ser explicados pelo retardamento da entrada no jovem no mercado de trabalho. â??Hoje as famÃlias estão segurando mais. Então, não tem uma pressão sobre os Ãndices de desempregoâ?, informa.
A explicação ajuda a entender o contrassenso da economia não estar bem e, mesmo assim, o Ãndice de desemprego não estar alto.
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