Regional

Jahu Club mantém prédio considerado marco do neoclássico

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O Centro da cidade de Jaú (47 quilômetros de Bauru) guarda um tesouro do passado. Um casarão que exibe uma fachada estilo neoclássico com forte influência inglesa, assinada por nada mais nada menos do que Ramos de Azevedo. Foi erguido sob a orientação do engenheiro Alfredo de Miranda. O prédio imponente foi fundado em 1915, no período próspero da cafeicultura. Em seus salões se apresentaram músicos, compositores como Villa Lobos, Martins Fontes, o escritor Monteiro Lobato e Antonieta Rudge.

O imóvel que completa 100 anos no ano que vem foi tombado. A parte mais baixa do prédio está  alugada para o comércio, o que garante sua manutenção. A sede social do clube é retratada de casarões dos barões do café que, na época não pagavam mensalidade para manter o local, doavam grandes quantias para que a contabilidade não fechasse no vermelho.

O salão de bailes com piso de madeira, lustres centenários e parede trabalhada já não pode ser usado para grandes eventos pois necessita de adaptações exigidas pelo Corpo de Bombeiros, mas ainda conserva muitas lembranças e história daqueles que frequentaram o clube no tempo que ele era único. O palco que recebeu grandes orquestras na década de 20 é todo feito em madeira maciça e o salão tem capacidade para 130 pessoas.

Na sala de TV, um aparelho moderno destoa da parede com barrado de madeira e cadeiras trabalhadas. Na sala de leitura, na mini biblioteca, uma mesa retangular pede a presença de mais de seis pessoas para arrastá-la. No estatuto do clube inaugurado no dia 30 de abril de 1917 está a finalidade: promover festas, recreações de caráter social e cultural e manter para os sócios e seus familiares um centro de convivência social.

A noitada inaugurativa da sede social, conforme descrito no livro de Nelson Sampaio “Avenças, desavenças e outras histórias do Jahu, foi abrilhantada com um esplêndido sarau que encheu as salas de pessoas elegantes e de finas toilettes. As nove e meia da noite iniciou-se o concerto, sob a direção do maestro Heitor Azzi. Na sequência foi proferida uma palestra pelo Dr. Armando Prado sobre Colombo e a descoberta da América. Só depois, teve início as danças que se prolongaram até às 4 horas da madrugada.”

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