Há sete anos os então diretores do clube resolveram modernizar a diretoria e um grupo mais jovens de associados foi montado sob a liderança de Waldemar Prado Carneiro Lyra Neto. “Esse grupo está se revezando na diretoria e dando um impulso ao clube. Como não surgiu chapa concorrente, estamos nos revezando a cada dois anos. O que foi presidente na outra gestão agora é vice e assim por diante,” explica o atual presidente Nelson Prado Sampaio Neto.
Ele foi eleito no ano passado e seu mandato segue até abril do ano que vem. “Temos a sede do clube aqui na área central da cidade e o clube de campo. As normas do Corpo de Bombeiros e da prefeitura exigiram alterações em muitas coisas. Todas foram feitas para termos o alvará e realizarmos eventos, bailes e festas de toda espécie. Nesse período de adaptações o clube não pôde ser alugado e boa parte dos recursos foram utilizados.”
Para impulsionar a arrecadação, o clube criou o sócio convidado que não possui o patrimônio e pode, pagando a mensalidade, utilizar as suas dependências. “Temos ainda os associados patrimoniais que hoje totalizam algo na casa dos 500. Esses podem usar a sede e o clube de campo.”
A sede central é bastante usada pelos associados mais antigos que não perdem a oportunidade de um bom papo com os amigos. “Eles se atualizam lendo jornais, jogam baralho, tomam café e assistem jogos pela televisão. Muitos deles nem frequentam o clube de campo. Os associados que frequentam o de campo usam a academia de ginástica, sauna, piscinas, campo de futebol e quadras de tênis.”
Na opinião dele, o clube de campo merecia uma frequência maior de final de semana. “Nos finais de semana os associados podem usar as piscinas, as quadras e principalmente fazer amizades. Eu me lembro que quando eu era mais jovem, ia para o clube com minha família e esperávamos horas para almoçar de tanta frequência. Hoje, muitos tem chácaras ou piscina em casa e deixam de fazer novos amigos. Ele pensa em resgatar antigos sócios para manter a tradição do clube.”
Cerca de 80% dos associados vão ao clube de campo para frequentar a academia e fazer atividades físicas. “Nos áureos tempos do clube fazíamos o réveillon, uma festa grande que abrigava famílias. Porém a passagem do ano é um evento oneroso. Abolimos e pelo quinto ano seguido estamos realizando uma festa chamada de Folia de Noel que é um pré-réveillon.”
Custo para manter clube é alto
A sede social e o clube de campo Jahu Club exigem manutenção diária e mão de obra especializada o que compromete parte da arrecadação, comenta Neto. “Não é qualquer pessoa que pode trabalhar aqui na sede social. Os gastos com manutenção não são pequenos. Nos últimos tempos houve uma queda nos recursos com locação do clube para festas.”
Ele frisa que o Jahu Club tem uma vantagem em relação aos demais entidades recreativas da cidade. “No piso térreo da sede social há três imóveis alugados para o comércio, isso ajuda bem.”
Movimento de jovens
Na década de 90, um movimento de jovens, filhos de associados do Jahu Club, queriam uma sede esportiva do clube. “Nós conseguimos a adesão de 90 pessoas e compramos um terreno de 20 mil metros quadrados no Jardim Itamaraty. Depois, quando eu estava na presidência, compramos mais três mil metros e fizemos o clube de campo,”
Para conseguir levantar os recursos necessários, as 90 pessoas compraram um título do clube. “Com o terreno comprado, o próximo passo foi conseguir um projeto. O que os diretores não imaginavam que a execução dele demorasse tanto tempo. “Demorou mais de 10 anos para ficar pronto. O projeto nós ganhamos do Sebastião Camargo que era um sócio. Ele se propôs a fornecer um arquiteto.”
Os diretores da época foram para o escritório de Camargo em São Paulo e conversaram com o arquiteto que na sequência mandou o projeto pronto. “Ele desenhou pensando no Sebastião Camargo que era um homem rico. Fez uma piscina suspensa que consumiu muito concreto e cimento. A piscina é redonda e não encosta na terra. Tivemos que fazer uma muralha para suportar o peso. Sob ela está os vestiários e a sauna.”
Painel com a história
Um painel na entrada do clube de campo do Jahu Club feito a mão por um sócio conta a história do município. A antiga estação ferroviária, os prédios do Centro da cidade, a matriz, a cana, a indústria, o peixe estão estampados na obra de arte.
Dançar colado era proibido
O aposentado Joacir Castro está com 83 anos e chegou a Jaú em 1944. “Nessa época eu era jovem e frequentava os bailes e festas do clube. O Jahu Club já existia. A sede era aqui mesmo. Eu gostava de dançar e não perdia uma festa. As moças vinham aos eventos e os jovens flertavam com elas.”
Castro lembra que o carnaval era realizado no salão pequeno. “Os jovens do sexo masculino ficavam sentados em volta. Não tinham mesas. O Juca Pacheco era um ‘vigia’. Ele observava cada ação nossa. Se a gente dançasse mais colado com a moça, por exemplo, ele vinha chamar a atenção da gente. Naquela época, agarrar uma moça era desrespeito. Tinha que se comportar direitinho, se não ele chamava a atenção. Foi aqui que conheci minha esposa em 1948. A mulher com quem casei e tive três filhos.”
O aposentado frequenta o clube até hoje. Vai para lá no período da manhã para ler os jornais local e nacionais e as revistas semanais. Costuma encontrar os amigos e bater longos papos. Quando tem algo que os interessa na TV mudam de sala e assistem.
Accurcio Alberto Nascimento Neto, 63 anos, conta com alegria que embora morasse na Capital, todas as vezes que vinha para Jaú encontrava os amigos no clube. “Nossa turma se reunia aqui no clube. Como éramos menor de idade não podíamos entrar em todos os salões. Conversávamos com as meninas. Conheci minha mulher aqui. Frequentei bailes e festas.”
Em 1954, o aposentado Alencar Pedroso hoje com 88 anos foi morar em Jaú. “Eu conheci o clube porque meu pai comprou uma fazenda aqui. Os frequentadores do clube convidaram meu pai para ser sócio. Ele não ficou sócio, mas eu fiquei. Era jovem e vinha paquerar nas festas”
O engenheiro agrônomo ainda frequenta o clube. “Eu gosto de encontrar os amigos e jogar baralho. Lembro que os bailes eram ótimos, grandes orquestras se apresentaram aqui. Hoje venho no clube para me divertir. Leio jornais, revistas e às vezes assisto alguma coisa na televisão.”