Política

Agostinho anuncia "pacote emergencial"

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Após ver a situação da falta d’água atingir níveis nunca vistos em Bauru, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) anunciou, ontem à noite, ao JC, medidas para reduzir a crise hídrica. O combate aos vazamentos, o aumento da capacidade de armazenagem e reservação em toda a cidade e a ampliação da capacidade da represa de captação do Rio Batalha são pontos considerados prioritários pelo Executivo, que ontem foi bastante criticado na sessão da Câmara Municipal.

A interligação das regiões abastecidas pelo Batalha e por poços é outro aspecto que ganhará atenção já a partir do fim deste ano, garante Rodrigo.

A promessa é que a redução do índice de vazamentos seja atacada a partir desta semana com mais ênfase, após a contratação de 21 encanadores aprovados em concurso do Departamento de Água e Esgoto (DAE). “Todos eles foram convocados e já estão assumindo o cargo. Tivemos um aumento na frota do DAE nos últimos anos, mas faltavam encanadores, que agora estão entrando na autarquia e já, ao longo desta semana, começarão a trabalhar para consertar vazamentos”, explica o prefeito. “Só na frota do DAE, investimos mais de R$ 10 milhões nos últimos anos”, reitera.

E é preciso mesmo. Sabe-se que 40% da produção de água em Bauru é perdida nos inúmeros vazamentos. Com a seca, a população fica indignada sempre que se depara com tal desperdício (leia mais na página 7).

A região abastecida pelo Rio Batalha será priorizada na contenção, por ser a que mais sofre com a falta d’água. “Nesses primeiros dias, vamos atacar essa área abastecida pelo Batalha, onde a situação é mais crítica. Depois, vamos espalhar para a cidade toda”, comenta Rodrigo. O Batalha abastece o Centro, zona sul, e bairros como Independência, Falcão, Ouro Verde e parte do Bela Vista, entre outros, correspondendo a 38% da área urbana. “Queremos zerar os vazamentos”, aponta.

Já a promessa é que a quantidade de reservação no próprio manancial seja aumentada assim que a represa volte ao nível normal, segundo o chefe do Executivo. Duas dragas vão retirar o excesso de areia para permitir que mais água fique acumulada no local.

Interligações

A setorização do abastecimento de água começará a ser feita a partir do final do ano, segundo o prefeito. “O Plano Diretor de Água está em fase final de elaboração e, nas próximas semanas, será apresentado com detalhe para a sociedade. Mas um ponto que já foi detectado é a necessidade de interligar as diversas regiões da cidade, a chamada setorização. Vamos começar a fazer isso ainda neste ano e seguir em 2015. Começaremos nas regiões de limite entre o Batalha e os poços. Em algumas delas, precisaremos comprar novos tubos”, afirma.

Rodrigo ressalta que, em períodos normais, cada região consumirá a água produzida em seu próprio setor (no caso dos poços) ou do Batalha, porém, em períodos em que houver necessidade, a autarquia poderá fazer as manobras e mandar água de uma região para outra.

Poços e reservação

Conforme o JC mostrou na edição da última quinta-feira, o Executivo aposta nos poços para cobrir cada vez mais bairros de Bauru – atualmente, 62% da cidade é abastecida pelo Aquífero Guarani. Até o fim do ano, entram em operação mais dois poços: o Alphaville, que ajudará a abastecer o sistema do Rio Batalha, e o Jardim TV. Outro poço está pronto, mas depende de autorização do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) para que a tubulação possa passar por baixo da rodovia Bauru-Marília. Trata-se do poço Val de Palmas, que fica na margem direita da rodovia, e abastecerá bairros como Vila Dutra e Santa Cândida.

“É uma área hoje abastecida pelo Batalha e que passará a ser deste poço. Além de reduzir a dependência do manancial, a água chegará com mais eficiência ali, pois são bairros altos e onde, historicamente, temos dificuldade em mandar a água do Batalha”, detalha Rodrigo.

Já a reservação deve ganhar, pelo menos, mais 10 milhões de litros até o fim de 2015. “Vamos licitar, já no começo do ano, dez novos reservatórios, que terão capacidade de 1 a 2 milhões de litros cada”, acrescenta. Entre os bairros que receberão os reservatórios, estão o Jardim Progresso, Distrito Industrial 3, Imperial 2, Chácaras Cardoso, Santos Dumont e Jardim Ferraz/Ouro Verde.

Água Parada

Para fazer a captação no Córrego Água Parada, estudos precisarão ser feitos a partir do ano que vem. “Licitaremos no começo de 2015 um projeto para estudar a viabilidade do Água Parada. Fui lá neste fim de semana e a quantidade de água era bem pequena também. Mas em períodos normais pode ser um manancial bastante útil para abastecer a cidade”, aponta o prefeito.

Apesar de ver o Água Parada como uma alternativa importante – tanto que os estudos devem ser feitos já a partir do ano que vem, garante Rodrigo - , o futuro direcionará Bauru ao Rio Tietê. “A longo prazo, a cidade terá que buscar água no Rio Tietê”, finaliza.

Cisternas

Até o final desta semana, a prefeitura pretende finalizar o projeto de lei que obriga imóveis de grande porte a terem cisternas para captar água da chuva e usar em atividades como limpeza, irrigação de plantas e resfriamento de caldeiras (no caso de indústrias). Os detalhes do projeto, contudo, ainda estão em discussão no Palácio das Cerejeiras.

“Queremos finalizar nesta semana o projeto de lei”, diz Rodrigo.

Contudo, alertado pelo JC que já existe uma lei - do próprio Executivo - com este propósito, o prefeito disse que irá analisar a questão. 

 

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