Com as duas pernas e um dos braços feridos após uma explosão provocada pela combinação de fogo e gasolina, Elvis Willian Marcolino, 11 anos, ainda pediu para a mãe: “pega o meu videogame”. Mas não houve tempo.
As chamas logo consumiram toda a sala onde o menino estava momentos antes de ser resgatado pela mãe, a dona de casa Eliana Aparecida Bernardes, 35 anos. O brinquedo, com que o garoto ocupava boa parte do seu tempo de lazer, se transformou em um amontoado de plástico retorcido.
Elvis perdeu o videogame – e quase a vida – na semana passada, em um incêndio registrado em sua residência, no Núcleo Fortunato Rocha Lima. A mãe havia ido até a vizinha buscar a caçula, Ana Júlia, quando o menino, sozinho em casa, pegou uma garrafa pet, onde estava cerca de um litro de combustível.
“Ele colocou um pouco da gasolina na tampinha e acendeu com um isqueiro. Pegou fogo e acredito que ele tenha se assustado e jogado a tampa no sofá, onde tinha deixado a garrafa com o restante”, relembra a mãe.
Ela já estava em frente de casa, sentada na calçada com a caçula, quando o filho gritou por socorro. Assim que Eliana entrou na sala, houve a explosão. O fogo havia tomado todo o sofá e alcançou a garrafa pet.
“O Elvis teve queimaduras de segundo e terceiro graus nas duas pernas e na mão esquerda. Já estava todo machucado e ainda pedia para salvar o videogame. Mas tirei ele de lá o mais rápido que eu pude e saí pelos fundos da casa”, comenta a mãe.
As chamas se espalharam pelo cômodo e consumiram a televisão, o rack, a porta e a janela de madeira, o forro e a fiação elétrica, além de um outro sofá e do Playstation 3 do garoto. Devido à rápida ação do Corpo de Bombeiros, o restante da casa permaneceu intacto.
Preferido
Elvis foi levado por vizinhos ao Pronto Atendimento Infantil (PAI) e, em seguida, transferido para a Unidade de Tratamento de Queimaduras (UTQ) do Hospital Estadual, onde permanecia internado até a noite de ontem. Segundo Eliana, o menino está consciente, mas talvez precise ser submetido a uma cirurgia para enxerto de pele em uma das pernas.
“Às vezes, ele reclama de dor, chora quando lembra do que aconteceu, pede para ir embora do hospital e pergunta, todo dia, do videogame”, lamenta. Não há, no entanto, previsão de quando o garoto receberá alta.
Eliana já conseguiu recuperar praticamente toda a sala após receber doações de móveis, faltando ainda a instalação de um novo forro e da fiação elétrica. Mãe de seis filhos, grávida do sétimo e dependendo apenas do salário de pedreiro do marido, a dona de casa, no entanto, não possui recursos para comprar um novo videogame, que o menino havia ganhado da avó há apenas quatro meses.
“Era o brinquedo preferido dele. O Elvis sempre foi muito caseiro. Nunca foi de aprontar e nunca deu trabalho na escola. Com 11 anos, está no 5.º ano (do ensino fundamental), tudo certinho”, observa.
Interessados em doar um Playstation 3 para o garoto podem entrar em contato pelos telefones (14) 99761-7899 ou 99733-6970 (falar com Eliana ou Paulo).