Cultura

"O circo tem de gostar do povo"

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto

“Paixão é algo que passa logo, antigamente era uma paixão. Hoje é amor”, ressalta o ator sobre sua admiração pelo circo

Na semana passada, Marcos Frota esteve em Bauru para participar dos espetáculos do “Circo dos Sonhos”, em temporada no Boulevard Shopping Nações até o próximo dia 2 de novembro. Ao JC, o ator falou sobre seu amor pelo circo e o novo conceito de base que está ajudando a criar: “Temos de perder a ideia de precariedade, mambembe, suja. Circo tem que ser um local limpo, organizado, com conforto para as famílias se divertirem. E o espetáculo tem que ser de bom nível”.

Tendo em mente este conceito é que ele cunhou uma frase que ajuda a resumir seu raciocínio. “O povo gosta do circo, agora o circo tem que gostar do povo”. E acrescenta: “O trabalho sério, empresarial, dá retorno, atrai a classe empresarial, os prefeitos das cidades abrem as portas e, acima de tudo, afasta a noção de decadência que muitos têm sobre o circo.”

Frota ainda comemora um fato que muita gente não sabe: a valorização do profissional. “O Brasil hoje se tornou exportador de mão de obra circense. Vem gente do mundo inteiro contratar profissionais formados aqui. As escolas de circo foram grande sacada. E existe uma Universidade do Circo no Rio de Janeiro que é valorizada internacionalmente. Lá, gente como Jorge Fernando (diretor de novelas da Globo) vai dar cursos”, conta, falando com paixão sobre o assunto.

E faz questão de corrigir: “Paixão, não. Paixão é algo que passa logo, antigamente era uma paixão. Hoje é amor, algo mais profundo e que vai durar para sempre”. Por esse amor ele batalha não é de hoje. Está há mais de duas décadas percorrendo o país de Norte a Sul e desenvolvendo um trabalho que valorize o artista circense brasileiro. Procurando patrocínios e usando as leis de incentivo à cultura para mostrar ainda mais a arte.

Espetáculo lúdico

Frota também faz questão de ressaltar que o trabalho que realiza “não é um negócio, não é o meu negócio, não tenho compromisso com o dinheiro e essa não é a finalidade maior do meu trabalho. O resultado financeiro é consequência. Sou um ator a serviço do espetáculo. Sei que melhoro a arrecadação da bilheteria, mas o circo não é meu e é bom que o público saiba que vale a pena ver mesmo sem a minha presença”.

De fato, o projeto é da empresa “Família Jardim”, com direção de Rosana Jardim. São mais de 60 profissionais envolvidos, entre eles 30 artistas brasileiros como malabaristas, equilibristas, contorcionistas e palhaços. “Criado para a família toda, o Circo dos Sonhos oferece um espetáculo lúdico para crianças e adultos”, afirma ele, que  assume o título de embaixador do circo, ressaltando que se considera privilegiado por poder viver e ganhar seu sustento da vida artística, sendo eclético. “Estou com quase 60 anos (ele completou 59 em 29 de setembro) e tenho a felicidade de trabalhar na televisão, no cinema e no teatro. Me sinto abençoado”.


Ligação com Rasi

Na Redação do JC, Marcos Frota confidenciou ter carinho especial pela cidade. Já fez vários trabalhos aqui. Mas ao jovem prefeito Rodrigo Agostinho, com quem também se encontrou, disse o porquê de sua ligação com a cidade e a empatia por Bauru. “Conheci tudo da cidade porque estive interpretando o espetáculo de Mauro Rasi, “A Cerimônia do Adeus”. Por quase cinco anos levei Mauro Rasi para o mundo, fomos até à Europa. Mergulhei no universo de Bauru. Adoro esta cidade”, disse, entusiasmado. Mauro Rasi foi um dramaturgo bauruense, morto aos 52 anos, de câncer no pulmão, em 2003, no Rio de Janeiro.

 

Serviço

O Circo dos Sonhos ficará em temporada até 2 de novembro no estacionamento do Boulevard Shopping Nações, na Rua Marcondes Salgado, 11-39. Horários: terça a sexta (20h); sábados e domingos (16h, 18h e 20h). Ingressos: cadeira central a R$ 40,00 e meia a R$ 20,00 e cadeira lateral a R$ 30,00 e meia R$ 15,00. Meia-entrada para crianças de 2 a 12 anos, estudantes e idosos, conforme legislação. Vendas: bilheteria do Circo, das 13h às 20h (exceto segundas-feiras).

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