Tribuna do Leitor

?Continuo escurinho...?


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Na década de 70, em plena Ditadura Militar, uma família de Santa Cruz do Rio Pardo, município situado na região de Ourinhos, estava muito apreensiva. Eram negros que, apesar do preconceito velado infelizmente existente em nosso Brasil, eram respeitados e admirados por muitas pessoas, inclusive por mim, naquela ocasião, morador de passagem naquela cidade do Interior Paulista.

O motivo da preocupação dos pais de Leonardo, jovem honesto, lutador, intrépido, cheio de esperanças para viver seu futuro, era mais que justificável. Fora ele, o caçula de sete irmãos, trabalhar na Capital Paulista, mais precisamente no Banco do Brasil. Num dia movimentado de trabalho, assaltantes invadiram sua agência bancária, armados com metralhadoras! Um susto e tanto! Houve tiroteio, correria e pânico! Na época, a comunicação não havia alcançado a modernidade e a rapidez de hoje.

Seu pai, o senhor Geraldo, negro simpático de cabelos orvalhados pelo tempo e de olhar sereno a mostrar sua alma nobre, ao ficar sabendo pelo noticiário da TV daquela tragédia, envia um telegrama ao filho: - "Querido Leonardo, soubemos do tiroteio no banco; responda com urgência se foi alvejado!". A resposta do filho, gozador, brincalhão como eu, foi incontinenti: - "Fique calmo, meu bom pai, não aconteceu nada, não fui alvejado, eu continuo escurinho."

Fernando Lucilha Jr.

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